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Em um baile de rancho iniciou a história de cinquenta anos de matrimônio entre Leandro e Olga Hofmann

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Em um baile de rancho iniciou a história de cinquenta anos de matrimônio entre Leandro e Olga Hofmann 003

Uma vida partilhada – é o que resume a história de Seu Leandro Júlio Hofmann e sua esposa Olga Rodriguez Hofmann. O fato que mais chama atenção nessa parceria é a forma como iniciou, com um verso declamado em um tradicional baile de rancho, que na época era uma das principais formas de concentração entre os jovens.
A memória sobre os versos ditos na oportunidade permanece viva na cabeça de Júlio. “Nós fomos num bailinho de rancho na casa de um primo da Olga e lá nós começamos namorar. Eu disse um verso assim para ela: lá no céu caiu um cravo; dentro de um copo de vidro; resolva o teu coração que o meu está resolvido”, relembra. A resposta da então pretendida namorada também não caiu no esquecimento de Júlio. “Ela respondeu o meu verso assim: ‘lá no céu correu uma estrela cobertinha de neve, se eu não casar com você quero que a morte me leve’”, diz. “Eu achei que ia dar casamento mesmo”, conta Júlio.
Sobre a forma como eram realizados os bailes de rancho, Júlio comenta que eram muito divertidos e iam, muitas vezes, até o clarear do dia. “Começava às oito horas, dançavam a noite toda e ia até no outro dia, com o sol quente às vezes. O pessoal era divertido mesmo”, relembra. “Tinha gaiteiro, violeiro. Dava bailinho muito bom naquela época”, acrescenta.
Toda a trajetória do casal foi percorrida na agricultura. De acordo com Júlio, sua esposa Olga sempre foi parceira no trabalho, de sol a sol. “Ela sempre me ajudou na agricultura, no cabo da enxada, na maquininha plantando feijão ou plantando milho. Em todos os serviços da roça ela ajudava. Era peleado”, comenta.
As principais cultivares plantadas no início da vida de casados eram: milho, feijão e cana de açúcar. “Plantava feijão naquelas costas de rio, mas era tudo malhado a cacete. Até a casco de cavalo era debulhado. Não tinha máquina para fazer isso”, relata. Quando se refere ao local onde era cultivado o feijão Júlio cita a antiga morada, na comunidade de São Francisco em Maximiliano de Almeida “nas costas do Rio Uruguai”. A principal finalidade da produção era a subsistência familiar. O que excedia a quantidade necessária era vendido para os comércios da cidade.
Além da forma de produção primitiva, bem diferente da forma como se produz na agricultura nos dias atuais, Júlio traz aos leitores algumas outras curiosidades sobre a forma de organização de sociedade na época. Uma dessas curiosidades refere-se à forma como eram quitados os débitos relativos aos impostos de terrenos rurais. “Naquele tempo o imposto das terras se pagava na picareta, arrumando as estradas. Era difícil, não tinha maquinário. As estradas eram feitas ‘a muque’”, relata.
Outra passagem contada por Julio é a atividade de construção de taipas de pedra, medida paliativa encontrada para que a erosão não prejudicasse tanto a qualidade dos solos. “A gente lutava com as taipas, para segurar a terra. A terra ia tudo para o rio então nós fazíamos as taipas para segurar. Às vezes até quebrava as rodas de carroça puxando pedra”, relata.
Os pacientes eram levados aos hospitais a cavalo, já que não havia carros nas proximidades. “Era muito difícil. Eram poucos que tinham carro. A maioria ia de cavalo. A maioria do transporte na época era assim”, relembra Júlio.
Outra grande dificuldade era preservar a qualidade dos mantimentos para alimentação da família, já que ainda não havia eletrificação nas propriedades. “Quando carneava um porco tinha que fritar a carne e guardar dentro das latas de banha para não estragar. Quando ia tirando, derretia a banha para comer a carne”, relembra Julio. A energia elétrica só foi instalada na residência do casal no ano de 1994.
Sobre a mudança para Machadinho, Júlio diz que foi positiva, que gostou da cidade, já que não podia mais trabalhar na época, há aproximadamente 15 anos, e gastava o tempo apreciando o movimento de carros nas ruas. “Eu me adaptei bem porque na época que vim para cá já não podia trabalhar, tinha problema de coluna. Eu ficava na área sentado, entretido, olhando a cidade, os carros que passavam na rua”, conta.
Quando fala na educação que deu para os filhos, Júlio comenta que ensinou o valor do trabalho desde cedo. “Eles foram desde pequenos ‘para o cabo da ferramenta’, foram para o pesado também”, diz. O casal criou seus quatro filhos: José, Inês, Jair e Janete; que lhes deram quatro netos: Carla, Marcos, Jeverson e Welinton.
No próximo dia 22 de julho o casal comemora o aniversário de 50 anos de matrimônio.

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