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Estanislau Vemescoski compartilha algumas de suas histórias com o leitores do Jornal Folha da Club

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Estanislau Vemescoski compartilha algumas de suas histórias com o leitores do Jornal Folha da Club 03

Com quase um século de história, Estanislau Vemescoski compartilha algumas de suas histórias com os leitores do Jornal Folha da Club. Muita luta e perseverança marcam a trajetória que rendeu muitas experiências e hoje são repassadas às gerações mais jovens.
Uma dessas experiências contadas por Estanislau, mais conhecido como Estacho, é a de um negócio frustrado, realizado ainda em sua juventude. Com muito esforço o machadinhense adquiriu uma área de terra no estado do Paraná pensando em produzir mais, só que a entrega do terreno jamais aconteceu. O corretor que havia intermediado o negócio foi assassinado antes de efetivar o ato. “Mataram o tal de corretor e eu perdi o dinheiro”, relata.
De acordo com Estanislau, um amigo o orientou a entrar em contato com a viúva do corretor, porém de nada adiantou. “Eu não posso te fazer nada, ela disse”, conta o machadinhense. Na sequência procurou também o prefeito da cidade onde residia o corretor, também sem efeito. Até no fórum a resposta foi negativa quanto à uma possível ajuda para solucionar o caso do negócio frustrado. “O que eu faço agora? Vou pegar um advogado”, se perguntou e respondeu ao mesmo tempo Estanislau. Contudo, não adiantou em nada, pois inclusive o advogado teria sido trapaceado pelo corretor.
“Eu sei que…, olha, eu dei um dinheirão monstro. Naquele tempo eu poderia ter comprado três alqueires de terra aqui em Machadinho”, reflete Estanislau. “Não adianta a gente confiar muito nas pessoas, não adianta”, comenta. A terra no Paraná foi pretendida pelas condições de trabalho, que segundo ele próprio, não continha pedras e isso facilitaria a vida do produtor rural e de sua família.
Outra grande história contada pelo machadinhense é a forma como foram construídas as suas moradias. A atual residência da família ainda tem sua base de madeira afixada com “tarugos”, forma antiga de amarração entre as madeiras da construção. Na casa anterior da família, inclusive o telhado era montado com tábuas. “Lá na outra casa era coberto com tabuinhas”, conta Estanislau.
A veia para construção não se limita às casas da família. Juntamente com seu falecido pai, construía desde engenhos até descascadores de arroz. “Até descascador de arroz nós fazíamos. A gente atorava as toras grandes de cedro e frisava elas, a de baixo e a de cima; aí colocava o arroz num buraco e ‘arrodeava’; descasava o arroz que é uma beleza”, comenta. “Não dá pra acreditar, mas funcionava muito bem”, acrescenta Estanislau.
Os engenhos para produção de açúcar e cachaça eram tocados a boi. “Durante muito tempo era tocado a boi”, diz. “Faz bem pouco tempo que foi comprado engenho à motor”, comenta o Mateus, filho de Estanislau.
De acordo com o machadinhense, a decisão de parar de trabalhar com a produção de cachaça aconteceu porque percebeu que a bebida “fazia mal a muitas mães”. “Um dia me deu na cabeça: ‘eu fazer cachaça ainda?’ Esse demônio que faz mal para tantas mães…”, analisou. O relato de Estanislau é de que sua mãe sofria com o comportamento de seu falecido pai depois que bebia. “Me deu aquilo na cabeça e eu parei de fazer. A cachaça faz alguma mãe sofrer como a minha pobre mãe. A minha mãezinha morreu por causa da cachaça”, conta.
Há aproximadamente oito anos, um pequeno acidente foi responsável por uma machucadura no queixo que permanece no corpo de Estanislau até hoje. Ao se barbear com sua navalha, uma espinha foi ignorada e cortada, o que acabou gerando uma ferida que até hoje não cicatrizou. “Eu fazia a barba com a navalha e atorei fora uma espinha que eu tinha. Apareceu uma feridinha e eu facilitei; fui no médico e ele costurou, mas só passei dor, foi a maior canseira”, conta. Hoje ele se diz com vergonha de aparecer em público pela situação em que se encontra a machucadura.
Mesmo com o avançado da idade, do auge dos seus 94 anos, Estanislau faz questão de cultivar sua própria horta. A mais recente colheita foi de algodão, que segundo ele, deve servir para produzir um travesseiro para apoiar os pés enquanto desfruta de seu descanso depois do almoço. “Eu coloco os pés em cima do travesseiro. Vou fazer aquele travesseirão dessa grossura”, diz Estanislau, sinalizando para o tamanho que deve ter o travesseiro. “Soca aquele algodão e costura a boca”, acrescenta, comentando sobre a forma como serão confeccionados os travesseiros.
Conforme contam os filhos Cecília e Mateus, Estanislau participou ativamente da construção da rede de luz quando o advento chegou à comunidade. “O pai chegou a doar madeira para a rede de luz quando o Frei Teófilo começou a fazer a rede”, comenta Mateus.
O machadinhense também participou ativamente da abertura das estradas, construídas com muito esforço e à base de trabalho braçal, sem apoio de maquinários como acontece nos dias atuais.
Estanislau é viúvo há aproximadamente vinte anos. Ao lado de sua falecida esposa, Dona Maria Luiza Shuasts Vemescoski, construiu uma família composta pelo casal, oito filhos (quatro homens e quatro mulheres) e doze netos.

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