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Uma história de amor com Machadinho – assim se identifica a trajetória de vida de Pedro Rodrigues

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Uma história de amor com Machadinho – assim se identifica a trajetória de vida de Pedro Rodrigues 001

Mesmo não sendo natural de Machadinho, seu Pedro Rodrigues fortaleceu um vínculo afetivo muito forte com a terra do balneário. Nascido em Passo Fundo, mudou-se para o município com três anos de idade, assim como fez sua esposa Dona Líbera, onde permaneceram até aproximadamente 14 anos depois de casados. O que indica o vínculo afetivo com o município é o fato de ter passado por muitos lugares buscando o sustento da família e mesmo assim, no momento em que pode parar de trabalhar escolheu Machadinho para descansar e conviver com os familiares.
Ainda da infância em Machadinho, Seu Pedro relembra algumas passagens marcantes. “A estrada para vim para Machadinho era coberta de pinheiro, era um pique onde passava só carroça. A mãe vinha fazer compras e eu vinha a pé atrás dela. Vinha juntando pinhão”, relembra.
Sobre o comércio do município na época, Pedro comenta que só existiam duas lojas onde se adquiria todos os produtos necessários para a subsistência da família. “Só tinha duas lojas na cidade. Eram só três, quaro casas também. Uma loja era do Benício Vechi e a outra era do Pedro Dalzotto”, relembra Pedro com memória invejável. “Tinha tudo o que precisava naquelas lojas. A gente vinha (para a cidade) uma, duas vezes por mês”, relata.
Outro elemento importante para conseguir os produtos essenciais à alimentação da família eram os moinhos, onde se transformavam trigo e milho em farinha. “Eu me lembro dos moinhos, eram de pedra. Levava o milho e o trigo lá no moinho. Tinha um moinho na Linha Tigre, era do Pompilho Vechi”, conta.
O arroz, que era um dos produtos mais importantes para obtenção de renda pela família, era descascado na propriedade. O descasque era feito no pilão. “O arroz era descascado no pilão. Era gostoso, só tinha que catar os ‘marinheiros’, aqueles que ficavam com casca. Tinha que escolher com a mão, lavar bem para depois colocar cozinhar”, relata Pedro.
Além do arroz, fazia parte das atividades principais da família a produção de mandioca que era comercializada com as tafonas. “A mandioca era a atividade que mais dava renda para a família, junto com o arroz d’água. Tinha quarenta e cinco tafonas em Machadinho numa época”, comenta. “As terras cultivadas tinham mandioca para farinha”, comenta Pedro.
Durante o tempo em que a família permaneceu em Machadinho foram essas as atividades desenvolvidas. O que fez com que o casal buscasse outra possibilidade foi o empobrecimento do solo na região onde moravam, na Linha Tigre. “As terras estavam muito fracas aqui e naquele tempo a pessoa pobre não podia ‘calcariar’, arrumar as terras. Só dava barba de bode e carrapicho de ovelha”, explica Pedro. Dali foram para São Domingos, no município vizinho de Maximiliano de Almeida.
Também auxiliou na decisão de mudar de local para residir e trabalhar a morte trágica do pai de Pedro. “O meu pai morreu novo, com cinquenta e quatro anos; disparou uma égua, virou os arreios e ele foi de ponta cabeça, desnucou. Daí quando morreu meu pai nós ficamos todos meio perdidos, então tomamos a decisão com os irmãos mais velhos de vender e comprar lá em São Domingos que as terras eram mais fortes”, comenta.
A passagem por Maximiliano de Almeida foi bem sucedida, de acordo com Pedro. “Eu já tinha comprado quase uma colônia de terra e pagado tudo. Trabalhava sempre a braço”, relata. “Eu comprei a terra para pagar em três anos e no primeiro ano consegui pagar tudo. Eu já tinha umas vinte e cinco cabeças de gado, vendi e dei a primeira entrada. Paguei tudo no primeiro ano”, relembra.
Sobre a produção que saia da propriedade, Pedro lembra com muito orgulho. “Um dia saiu da minha casa dois caminhões de milho do Alcides Dal Bello, com cento e vinte sacos cada um. Soja era plantada cem quilos e colhido cem sacas, e sem adubo, a terra era muito forte lá”, afirma.
Mesmo com o sucesso na atividade agrícola, o diabetes forçou Pedro a tomar a decisão de abandonar a lavoura. “Me entrou a diabete. Eu não podia mais pegar nem dez minutos de sol. Um dia eu fui lidar com uma vaca que tava dando cria e me deu uma reação ruim, eu desmaiei. Sentei em cima de uma pedra e tomei uma decisão: vou vender aqui e não trabalho mais na roça”, relembra.
Naquele momento bateu no coração de Pedro o amor pela terra natal. “Vou voltar para a minha terra”, pensou. “Tomamos aquela decisão, eu comprei um fusquinha azul lá em Maximiliano e viemos, eu e a minha esposa, procurar lugar para comprar aqui em Machadinho”, diz. A busca foi bem sucedida, já que comprou dois lotes, em um deles mora até hoje com sua esposa e no terreno ao lado reside o filho Everton com sua família. A mudança de volta para a terra do coração aconteceu há 14 anos.
Puxando pela memória, o momento que surge como um dos mais difíceis na vida é a criação dos filhos, sempre com trabalho braçal. “Nós chegamos a pegar uma colônia inteira para derrubar e depois plantar. Derrubamos de foice e depois de machado e serrote”, conta Pedro. “Nós tínhamos sete crianças naquele tempo, todas pequenas. Não era fácil”, comenta Dona Líbera.
Do outro lado, também se apresentam muitos momentos positivos, de grande alegria. E mais do que apenas momentos, a lembrança das amizades firmadas ao longo da vida se destacam nas situações positivas. “A gente sempre recebe os nossos antigos vizinhos, os daqui e os de Maximiliano vêm sempre nos visitar. Isso é a coisa mais gostosa do mundo”, diz Dona Líbera.
A trajetória de lutas e trabalho pesado foi dura, porém serviu para que o casal pudesse se orgulhar de ter conseguido cumprir uma das mais nobres tarefas a que pode se propor qualquer ser humano: construir uma família e fazer isso baseado em compreensão e harmonia. Da união do casal nasceram dez filhos que lhes proporcionaram vinte netos e cinco bisnetos.

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