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A Polícia Civil realiza, na manhã desta segunda-feira (8), operação de investigação sobre um suposto esquema de rachadinha e de fraude em compras feitas pela Prefeitura de Canela, na Serra do Rio Grande do Sul.
Até as 7h30, três pessoas haviam sido presas, entre elas o presidente da Câmara de Vereadores da cidade, Alberi Galvani Dias, o secretário de Obras do município Luís Cláudio da Silva e o interventor do Hospital de Caridade, Vilmar Santos. Foram afastados dos cargos pela Justiça o secretário de Turismo Angelo Sanches, o secretário adjunto de Obras Osmar Zangalli e um servidor comissionado.
A Prefeitura de Canela disse que vai acatar as decisões judiciais, que não compactua com qualquer tipo de irregularidade e que está à disposição das autoridades. Um processo administrativo interno vai ser aberto para apurar os fatos.
A Câmara de Vereadores destacou que, embora não esteja sob investigação, permanece à disposição das autoridades e que a vice-presidente do Legislativo assume a direção da casa. O advogado do presidente da Câmara afirma que o cliente refuta as acusações e que, ao longo do processo, irá trabalhar para comprovar a inocência do cliente.
A defesa de Luiz Cláudio da Silva diz que ainda não teve acesso aos autos, mas que o secretário afirma sua inocência e que irá colaborar com as investigações. A advogada do interventor Vilmar Santos disse que, como já foram apreendidos os objetos os quais interessavam a investigação, não há de se falar em prisão para garantia da ordem pública ou econômica. Já Angelo Sanches se diz tranquilo em relação aos fatos e que irá contribuir com as autoridades.
Durante esta segunda estão sendo cumpridos 176 mandados judiciais que incluem prisões, afastamentos, busca e apreensão em casas e órgãos públicos, além do bloqueio de contas bancárias e bens e quebra de sigilo bancário e fiscal.
Investigações
Segundo o delegado Vladimir Medeiros, as investigações começaram no início do ano, com a apreensão de material de construção em um sítio que seria de um ex-servidor comissionado da prefeitura que passou a prestar serviços de obras ao município.
Uma embalagem encontrada no local confirmou que a origem da carga era o Hospital de Caridade, que está sob intervenção do município.
“Inicialmente a gente tinha para apurar desvio de material que era do Hospital de Caridade do município que teria ido para uma obra particular de um servidor da prefeitura. Na verdade pra nós seriam pontos específicos de investigação, mas descobrimos um grande emaranhado, um esquema de corrupção muito grande, por parte do poder executivo e legislativo de Canela”, diz.
Com o avanço das investigações, a polícia descobriu um suposto esquema para fraudar obras feitas pela prefeitura, inclusive no hospital.
Mensagens de celular obtidas pela polícia e que são atribuídas aos investigados mostram como era feita a suposta fraude. O grupo acertava que uma determinada reforma seria contratada por R$ 26 mil. Assim, outras duas empresas, que seriam de fachada, apresentariam propostas maiores, de R$ 27 mil e R$ 29 mil.
“Na verdade, o grupo fazia orçamentos fraudulentos para vencer contratos com a prefeitura municipal, esses contratos passariam pela presidência da Câmara de Vereadores de Canela, sempre vencendo uma empresa do grupo, muitas vezes, empresas de fachada. Todo tipo de obras, obras menores, obras maiores, para a realização de construções, reformas e ampliações”, destaca o delegado.
Esquema de rachadinha
A polícia também apura um suposto esquema de rachadinha que, segundo o delegado, arrecadava R$ 20 mil reais por mês de funcionários da prefeitura. Eles seriam obrigados a repassar ao partido MDB até 10% dos salários.
“Nós fizemos o acompanhamento no dia do pagamento do responsável pela coleta desses valores, e com eles conseguimos apreender valores em dinheiro, e também uma tabela de contabilidade, mês a mês, indicando o pagamento de cada um dos servidores. Esses pagamentos geravam de 5 a 10% dependendo do cargo a ser exercido”, relata.
Fonte: Por Giovani Grizotti e Juliano Castro, RBS TV
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