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A edição desta semana do Jornal Folha da Club tem mais uma vez a satisfação de trazer aos leitores um pouco da história de um dos desbravadores dos municípios da nossa região. Santo Freitas auxiliou na realização de projetos importantes para a nossa sociedade.
Um dos primeiros trabalhos desempenhados por Santo Freitas foi a construção da ponte que liga os municípios de Maximiliano de Almeida e Marcelino Ramos. Graças ao seu esforço e dos demais envolvidos hoje as comunidades da região podem se aproximar com a importante ligação.
Ele lembra que por ser menor de idade precisou da autorização de seu pai para trabalhar na obra. “Eu era de menor e não podia entrar em turma para trabalhar. Tinha que ter autorização do pai”, conta.
“Eu ajudei fazer o pilar do encosto e depois ajudei a fazer a sapata do pilar de dentro d’água, dava três metros de fundura”, conta Santo. A dificuldade maior, segundo ele é que o trabalho era braçal, com o mínimo de auxílio de máquinas. “Era tudo no braço. Tinha que puxar terra e pedras com um carrinho”, relembra. “Demorou mais de dois anos para fazer tudo”, afirma.
Alguns detalhes lembrados por Santo demonstram a dificuldade do trabalho enfrentado para construir a ponte. “A roupa que se ocupava até meio dia tinha que ocupar de tarde. De meio dia tirava aquela roupa embarrada, tomava banho e colocava a roupa limpa, de tarde vestia a mesma porque não adiantava. Baldear barro pra cima…”, detalha. “Era trabalhado”, acrescenta.
Também foi nesta obra que Santo sofreu um duro golpe da vida. Seu pai que também trabalhava lá perdeu a vida em um acidente de trabalho, conforme conta ele mesmo. “Estavam derrubando um angico, galhudo, encopado. Esse angico sentou em cima do serrote e não caia, nem para um lado e nem para outro; aí foram chamar o pai lá na beira do rio. O pai veio, pegou duas cunhas de ferro, colocou (no corte da madeira), foi batendo, batendo, batendo, para cair na estrada. E quando ameaçou cair o pai pulou na estrada, tinha um carreiro do lado; deu um meio pé de vento e o angico rodeou em cima do toco e veio de cheio em cima dele”, relembra. Depois de algumas horas seu pai faleceu no hospital.
Mesmo no leito de morte, seu pai lhe orientou para seguir os melhores caminhos na vida. O principal pedido foi para que Santo não preservasse um dos hábitos do pai. “Ele ainda pediu um ‘traguinho’ antes de falecer. Mas antes disso ainda ele me falou para cuidar daquele casal de crianças (seus irmãos). Falou que eu podia fumar meu cigarro e tudo só que eu não deveria tomar pinga como ele tomava”, conta.
Ao longo da vida, e na maioria dela, Santo trabalhou com atividades agrícolas. Entre estas atividades auxiliou no processamento de erva-mate, momento em que relembra com detalhes. Porém o que mais lhe deixa com saudades é o sabor da erva-mate. “Era outro gosto, era outra vida”, diz.
Santo perdeu completamente sua visão há doze, porém não foi privado do senso de humor. Ao falar do casamento que fez com pouca idade, diz que foi por um “momento de bobeira”. “Eu casei novo, com 19 anos, uma bobeira que deu na cabeça. Casar pra que tão novo? Olhava pras moças e ficava faceiro igual lambari de sanga”, brinca. Também brincando, Santo comenta que nunca contou para a esposa sobre o fato de achar que o casamento aconteceu por um momento de bobeira.
Sua companheira Dona Emília faleceu há seis anos. Com ela Santo formou uma família com quatro filhos, treze netos e doze bisnetos.
Santo é natural de Maximiliano de Almeida, onde permanece até hoje aos seus 87 anos. O que mudou foram as comunidades onde residiu. Nascido na Linha Gramado, aos treze anos mudou-se para a Linha Bernardi; há pouco mais de seis anos foi morar na cidade, após três meses perdeu sua esposa; quando isso aconteceu foi morar na Linha Passo do Betiolo com a filha Lurdes e o genro Luiz, onde permanece até os dias atuais.
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