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Ao lado da inseparável gaitinha de boca, Seu Vilson Sartori organizou sua vida com muito bom humor, trabalho e sabedoria. Com base nesses pilares construiu sua trajetória formando grandes relações sociais em Maximiliano de Almeida assim como uma bonita família.
Embora Vilson tenha vivido grande parte da vida em Maximiliano de Almeida, não é natural do município. Seu falecido pai procurou na Linha Cerro da Rapadura a oportunidade de melhorar a qualidade de vida da família quando deixou Guaporé trazendo em sua carroça a esposa, os irmãos e Vilson com seis anos de idade. “Viemos de Guaporé! Demoramos mais ou menos uma semana na viagem. O meu pai trouxe três cachorros que vieram amarrados atrás da carroça”, conta Vilson. Os cachorros vieram com a família devido ao gosto de seu pai pela caça.
Após a passagem pelo Cerro da Rapadura a família mudou-se para a Linha Caçador no ano de 1945. “Lá nos ficamos 18 anos”, relata Vilson. “Depois viemos morar aqui (Linha Sartori). Vendemos seis colônias lá e compramos outras seis aqui”, acrescenta.
Os motivos que levaram a família a trocar o local onde residiam foi a condição dos terrenos encontrados na Linha Sartori, que de acordo com Vilson, eram mais propícios às atividades que a família pretendia desenvolver. “Lá eram terrenos dobrados. Aqui é um lugar plano, de muita madeira, tem água à vontade, deu pra formar erval porque a terra é própria pra isso e pra agricultura também”, comenta Vilson.
Durante muitos anos a família trabalhou com serraria na propriedade em que reside. Atualmente as atividades migraram para o ramo de esquadria.
Uma das principais lembranças trazidas da Linha caçador foi uma casa centenária construída pelo pai de Dona Itália. “Nós temos uma casa aqui que era do meu sogro, o pai da Itália. Ela foi construída em 1916, tem 101 anos. É feita de tábua rachada. Naquela época se cortava uma tora do comprimento das paredes e se rachava com uma ferramenta pesada”, relata Vilson. “Essa casa foi feita lá na Linha Caçador e nós trouxemos em cima de uma ‘Mercedinha’ e colocamos ali”, acrescenta.
Dona Itália conta a história da construção da Casa centenária com mais detalhes. “O meu pai veio de Antônio Prado, comprou terreno no Caçador, fez uma roça de mato e construiu essa casinha. Ele fez a casa e uma lavoura para as verduras. Depois que a casa estava feita ele voltou para Antônio Prado, casou com minha mãe e veio morar nessa nela”, detalha Itália.
Ao longo da vida muitos momentos difíceis se apresentaram para Vilson e sua esposa, porém há aproximadamente quatro anos aconteceu um fato que proporcionou ainda maiores dificuldades. Em poucos dias, tanto Vilson quanto Dona Itália sofreram fraturas no fêmur. Itália sofreu a fratura saindo de sua casa, na escada, e Vilson resvalou na estrada próxima à residência. “No dia que eu estava na cirurgia chegaram com ele (Vilson) com a perna quebrada”, comenta Itália. Já Vilson considera difícil compreender como pode quebrar a perna fazendo algo tão simples, depois de ter realizado tarefas muito mais perigosas. “Eu passei por serviços perigosos: derrubar árvores, arrastar; lavrar nas ladeiras; tombar carroças cheias de milho e nunca quebrei um dedo por trabalhar todos esses anos. Não sei como foi acontecer isso ali na estrada. Dei uma resvalada com o tênis, caí de costas e quebrei a perna”, relata.
O matrimônio com Dona Itália foi realizado em 1954. Da união foram concebidos oito filhos, sete mulheres e um homem que por sua vez tornaram o casal avós de 16 netos e bisavós de 01 bisneto.
Na política Seu Vilson também teve sua participação ativa. Foi candidato a vice-prefeito compondo chapa com o candidato a prefeito Nicolau Carloto. Em 2008 foi candidato e eleito vereador em Maximiliano de Almeida. “Já com idade avançada me insistiram e eu concorri a vereador. Ganhei as eleições com uma margem muito pequena, mas me elegi”, comenta.
Como experiência deixada pela trajetória política ele conta que pode contribuir com o município através da busca de recursos para o município nas esferas estadual e federal de governo. “Fomos a Brasília em nove vereadores e conseguimos resgatar umas verbas. Até tinha uma verba meio perdida, uma verba que tinha sido oferecida, nós fomos lá e resgatamos”, afirma Vilson.
Um dos aspectos mais marcantes em uma campanha eleitoral, de acordo com Vilson, é a convivência com as pessoas ao redor do município. “Eu gostei de fazer uma campanha para vereador nesses interiores a fora. A gente chegava nas famílias humildes e sempre fui muito bem recebido. Percorri mais ou menos 3 mil quilômetros dentro do município para fazer esses votos”, relembra. Naquela eleição Vilson recebeu 141 votos que lhes proporcionaram o cargo de vereador por quatro anos.
Seu Vilson uniu o útil ao agradável quando teve sua passagem pela vida pública, seja na campanha ou na atuação à frente do Legislativo Municipal. A gaitinha de boca, uma de suas mais antigas paixões serviu para aproximar Vilson das pessoas. “Lá em Brasília, antes de visitar os ministérios, nós fomos visitar os deputados do PP e do PT. Eu toquei gaita de boca para o Deputado Paulo Pimenta do PT e foi um sucesso dentro daquele gabinete. Deus me deu esse dom e a música foi boa para mim, ela aproxima as pessoas”, relembra.
Antes mesmo de chegar a capital da nação, Vilson apresentou seu repertório aos tripulantes e passageiros do voo em que ele e seus colegas vereadores viajavam. “Toquei dentro do avião. Sinceramente, vinham pessoas que eu nem sei de que estado eram, me filmavam e levavam a gravação”, relata. Destes momentos resultou um álbum de fotografias com os registros da interação com as mais diversas pessoas ao longo da viagem.
A gaita de boca acompanha Vilson desde seus 16 anos de idade. “Aprendi a tocar sozinho. Eu sempre fui apaixonado pela música”, declara. O instrumento musical também rende a Vilson participações em programas de emissoras de rádio da região.
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