
Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Hoje residente na cidade de Machadinho, Eunira Izoton, mais conhecida como Dona Neca, vive a vida com muita alegria e simpatia. Seus 85 anos de experiência, com muito trabalho e perseverança, lhe trouxeram sabedoria e discernimento sobre o que realmente importa na vida.
Dona Neca é natural de Marcelino Ramos e ainda jovem mudou-se para Machadinho. Ainda em Marcelino, porém, conheceu Seu Ângelo Izoton, com quem casou-se e teve sete filhos. Hoje já fazem parte da família mais onze netos e quatro bisnetos. Seu Ângelo é falecido há 12 anos.
Na terra do balneário a família morou primeiramente na Linha Tessaro, depois na Linha Ambrósio e hoje Dona Neca mora com seu filho Chico na zona urbana do município. Quatro filhos também moram em Machadinho e tem um convívio intenso com a matriarca da família.
O início da vida em casal não foi fácil, muito pelas dificuldades impostas pela distância do trabalho do marido. Em sociedade com seu irmão, Ângelo tinha terras no Paraná onde plantava café. “Tinha cafezal lá, daí ele foi pra lá colher café. Ficava mais de mês para lá, trabalhando”, conta Dona Neca. “Eu sempre tinha uns que moravam comigo, tinha os peões”, relembra.
“Depois ele vendeu lá e ficamos ali no tio de agregado”, comenta Neca. O tio citado por ela morava na Linha São Paulo, em Marcelino Ramos. O sistema de trabalho na propriedade de seu tio era o de agregado, pelo qual a família trabalhava nas terras de terceiros e repartiam a produção no final de cada safra.
“Depois vendemos lá no Paraná e compramos aqui em Machadinho, conseguimos comprar uma terrinha aqui”, relata. No início do período em que morava em Machadinho, inclusive a produção de “arroz de água” fez parte das cultivares plantadas na propriedade.
Com a ajuda dos filhos, o plantio de cebola também foi parte das atividades que sustentavam a família. “Naqueles anos eu plantava muita cebola, semeava até um quilo e meio de cebola”, relata Neca. “Eu sei que em um ano eu vendi três mil quilos de cebola”, comenta.
Da cebola surgiram também boas histórias, além do sustento da família. Uma dessas histórias foi contada pelo filho Chico. “A mãe tinha as vacas de leite e elas adoravam comer cebola. Aí começaram a reclamar na cidade que o leite que a mãe vendia tinha um cheiro diferente. o que acontecia é que nós jogávamos os restos da cebola por uma janela de um galpão; as vacas comiam e ficava o cheiro no leite”, relata Chico.
Desde o início da vida o trabalho da família sempre foi com a agricultura. Tudo o que era positivo para sustentar a família era produzido na propriedade. “Trabalhamos sempre na colônia. Tirava leite, vendia leite, fazia queijo…”, relata.
O medo do trabalho nunca fez parte dos sentimentos de Dona Neca, porém em alguns momentos a carga ficou pesada pelos empecilhos trazidos pela vida. Um dos momentos de maior dificuldade, de acordo com os relatos de Dona Neca, aconteceu quando o falecido marido foi acometido por uma doença que provocou a retirada do principal osso do braço. “Ele teve osteomelite; tiraram o osso do braço. Ele não podia trabalhar, mas trabalhava direto”, conta.
Ao falar sobre as lembranças deixadas pelo falecido marido, Dona Neca afirma que nunca sai da cabeça os momentos vividos em casal. “Vai fazer doze anos que ele morreu. Eu não me esqueço dele nenhum dia. Em cada momento vem a lembrança dele”, diz. Dona Neca também cita a lembrança de um filho que faleceu ainda criança. “Não me esqueço dele e nem de um gurizinho que eu tenho morto”, diz.
Para Dona Neca, depois de ter passado pelas dificuldades e obstáculos que a vida lhe impôs, hoje está bem colocada, ao lado dos familiares. “Quando eu tenho a família inteira reunida eu fico muito faceira. É a maior felicidade que eu tenho na vida”, conta. “O que passou, de ter que trabalhar tanto, passou. Agora eu estou tranquila”, acrescenta.
Sobre a ligação forte que tem com os filhos, uma situação ilustra muito bem tal sentimento. Segundo ela, o choro vinha cada vez que um dos filhos que morava longe chegava ou saia de sua casa. “Quando esse (Chico) tava em Caxias e ele vinha eu chorava de alegria; quando ele saia eu chorava de tristeza, como faço com o filho que tá em Lagoa. Esse é o que vem menos para cá”, relata.
De acordo com o filho Chico, reunir a família inteira é um programa que a mãe, se pudesse, faria todos os dias. “Se a mãe puder reunir os filhos todos os dias aqui em casa ela reúne”, comenta Chico.
Deixe uma resposta