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Antonieta de Barros, a primeira mulher negra eleita deputada no Brasil, lutou por pautas que ainda se entrelaçam às mulheres. Nascida em 1901, em Florianópolis, foi incluída este ano no livro de Heróis e Heroínas da Pátria pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Também professora e jornalista, é referência na luta pelos direitos das mulheres e inspira profissionais que buscam transformar o mundo a sua maneira em diferentes áreas, seja na educação, arte, liderança ou pesquisa.
Educação
Responsável por elaborar o projeto de lei que criou o Dia do Professor em Santa Catarina, 15 anos antes de a data ser reconhecida nacionalmente em 15 de outubro, Antonieta tinha como pauta central a educação.
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Nas várias “camadas de Antonieta na educação”, como descreve a pesquisadora e escritora Jeruse Romão, que participou também do movimento para a alfabetização de adultos e daqueles para quem o “bolso não sorria”, conta.
Assim como foi Antonieta, Sônia Carvalho é professora em Florianópolis. Responsável pela modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Capital, a educadora vê na trajetória da ex-deputada o mesmo esforço que enxerga nas “muitas Antonietas” que passam pelo projeto.
Pobres e na maioria mulheres negras, as estudantes buscam a liberdade, mesmo que seja simples como decifrar o letreiro de um ônibus.
Defensora da educação como meio para uma sociedade mais igualitária “onde todos têm lugar”, Sônia destaca também que o ensino tem potencial para a construção de uma sociedade antirracista, uma luta também dividida pela ex-deputada.
Arte
“Todos nós, voluntariamente ou não, somos ginastas, vivemos a tentar equilíbrio no grande trapézio da vida”. A frase é de Antonieta e foi publicada na ‘Crônica Farrapos de Ideias’ em 1933, no Jornal a República e reverbera até hoje.
Não só na literatura, uma das áreas de atuação da ex-deputada enquanto professora, a catarinense também é inspiração constante na música e vida de Dandara Manoela.
Cantora nascida em São Paulo e radicada na Capital, Dandara foi apresentada à história de Antonieta há 9 anos, quando chegou ao Estado para estudar na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Desde então, tem na catarinense influência para arte que faz.
No clipe ‘Pretas Yabás’, lançado em 2020, o rosto de Antonieta aparece estampado em um mural de 32 metros de altura por nove de largura. A caricatura foi feita 2019 em uma das ruas mais movimentadas da Capital catarinense.
A ex-deputada também está em uma placa que troca de nome e passa a se chamar Antonieta de Barros.
Muitas vezes primeira
Não só a primeira deputada estadual negra do Brasil, Antonieta também foi a primeira deputada mulher no parlamento catarinense e a primeira a assumir a presidência da Alesc.
E é essa liderança nata de Antonieta que a faz ser inspiração para a titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) de Araranguá, Eliane Chaves.
Atuando em um ambiente predominantemente masculino, assim como Antonieta na política, a investigadora destaca a importância da ex-deputada na busca por mudança e emancipação.
Ao destacar as vezes que a ex-deputada foi pioneira, a delegada se emociona.
Essa liderança é delineada por uma característica intrínseca de Antonieta, como descreve Jeruse Romão, autora da biografia da ex-deputada.
“A vida da Antonieta inteira é atravessada pela energia da coragem. Uma coisa é ter alguém para ser bússola, para orientar, mas ela não. Ela foi a primeira a ocupar esses lugares”, diz.
A pesquisadora ainda reforça que Antonieta não era qualquer mulher, mas “uma mulher filha de uma mulher escravizada”.
Fonte: g1 SC
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