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Na edição desta semana do Jornal Folha da Club, oferecemos aos nossos leitores uma história que chama atenção pela trajetória percorrida por dois irmãos gêmeos: Bruno e Brunilda. No próximo mês de outubro eles completam 89 anos de idade, quase dois séculos de vida originados de uma mesma gestação.
Mesmo passando por um período em que a medicina não era tão evoluída como é hoje, mesmo tendo que superar condições de vida adversas ao longo dos tempos, os gêmeos permanecem firmes na luta pela vida e lúcidos para contar suas histórias aos nossos leitores.
Os gêmeos foram criados ao lado de mais sete irmãos na comunidade de Volta Grande, em Marcelino Ramos. Os pais haviam saído de Montenegro – RS alguns anos antes, em busca de melhores condições de vida.
Gauger de nascimento, a irmã Brunilda hoje carrega o sobrenome do falecido marido, Edvino Petry. Antes disso, porém, chegou a assinar seu nome como Brunilda Neuhaus, depois de ter firmado matrimônio com Evaldo Neuhaus. Casou-se com o primeiro marido aos vinte anos de idade.
Com o esposo Evaldo pode dividir a vida por um período curto de tempo. Grávida de seis meses, recebeu a dura notícia do falecimento do companheiro, que saíra de casa a procura de atendimento médico com dores na região do fígado, após ter sofrido o impacto de uma chifrada de um touro.
A principio, de acordo com o relato da própria Brunilda e do filho Evaldo, que recebeu o nome do falecido pai, o problema não inspirava tanta preocupação, porém, com o passar dos dias chegaram as complicações. Depois de sucessivas transferências hospitalares Evaldo veio a óbito. O diagnóstico final foi uma doença conhecida na época como amarelão preto.
“Ele teve uma chifrada no fígado e depois adoeceu. Saiu aqui de Volta Grande à cavalo para o hospital de Marcelino; dali levaram para Getúlio Vargas; depois para Porto Alegre e de lá voltou no caixão”, declara o filho Evaldo, ao falar sobre as informações que tem do pai, relatadas pelos familiares.
Ainda no período em que acorreu o triste fato do falecimento do marido, Brunilda precisou passar por uma cirurgia para retirada da apendicite. Quando voltou do hospital depois de ter passado pelo procedimento cirúrgico, grávida, teve que encarar a dura realidade da separação prematura de quem havia escolhido para dividir a vida.
Depois de aproximadamente cinco anos, Brunilda casou-se novamente, dessa vez com Edvino Petry, com quem teve mais nove filhos e permaneceu casada por trinta anos. Uma das filhas faleceu ainda criança. Depois de casada com o segundo marido mudou-se para a Linha Gramado, em Maximiliano de Almeida, onde reside até hoje, próxima dos filhos Evaldo e Evandro.
O marido Edvino faleceu há cerca de trinta anos, depois de ter sofrido complicações geradas por problemas respiratórios. Restou a Brunilda naquele momento, além da dor causada pela perda, a responsabilidade de concluir a criação dos filhos.
De acordo com o filho Evaldo, enquanto pode a mãe exerceu as atividades na agricultura – que sempre foi a principal fonte de sustento para a família. “Na lavoura ela trabalhou até que pode, sendo uma referência para a família”, disse.
O irmão Bruno viveu com os pais na Linha Volta Grande até os 30 anos de idade, quando se casou com sua companheira Etna, que o acompanha até os dias atuais. Permaneceram no interior de Marcelino Ramos até aproximadamente dez anos depois de casados, quando partiram em busca de novos horizontes no município de Piratuba. A comunidade escolhida para fixar residência foi Linha Uruguai, onde permaneceram até dois anos atrás. No momento, o casal reside nas proximidades da cidade de Piratuba.
Na comunidade de Volta Grande, a principal atividade era a produção de cachaça. Já na nova morada – Linha Uruguai –, o carro chefe passou a ser o trabalho com madeira. Na madeireira da família foram muitos anos de trabalho, superando dia a dia as dificuldades que se impunham.
Um dos momentos mais marcantes na história dos gêmeos foi a confraternização organizada pelas famílias para comemorar os 80 anos de idade. Naquele momento se reuniram várias gerações originadas do casal de irmãos.
Cada um dos gêmeos construiu famílias numerosas. Bruno, ao lado de sua esposa Etna, foi abençoado com 07 filhos, 15 netos, que por sua vez lhes deram 04 bisnetos. Já Brunilda formou uma família ainda mais numerosa, das duas uniões que formou com os falecidos maridos, foram gerados 10 filhos, os quais já renderam à matriarca 21 netos e 11 bisnetos.
O planejamento da família está sendo feito para reunir novamente todos os familiares dos irmãos em uma comemoração pela passagem do aniversário de noventa anos de idade.
Parabéns a esses guerreiros, que como tantos outros de suas
gerações, enfrentaram as décadas com tudo o que elas lhes impuseram, superando as barreiras impostas pela vida com bravura e determinação. Além do respeito da família, ao contar essa história manifestamos aqui também a satisfação do Jornal Folha da Club por poder dar visibilidade a histórias de vida que trazem tantos exemplos para as novas gerações, assim como temos feito todas as semanas, a cada edição do nosso jornal, quando contamos um pouco das trajetórias de cidadãos que contribuíram com a construção da história dos municípios da nossa região.
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