
Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Nascido na comunidade de Bela Vista, interior de Machadinho, em 04 de fevereiro de 1945, Seu Agenor Abílio de Lima rodou o mundo no desempenho das funções de sua profissão até que voltou para a terra natal, onde vive hoje ao lado da esposa Leda e desfruta da tranquilidade de sua melhor idade.
A profissão que proporcionou a Agenor a possibilidade de rodar o mundo foi na área de engenharia. As funções foram sempre exercidas na empresa gigante da aviação, a VARIG (Viação Aérea Rio-Grandense).
Antes de falarmos sobre a profissão, vamos contar um pouco sobre como começou a história construída ao lado da companheira Leda. O primeiro encontro foi na casa de amigos comuns, em 1974, e a partir de então os encontros foram ficando constantes, até o momento em que se casaram, dez meses depois do primeiro contato. Agenor já era técnico da VARIG e Leda exercia a função de recepcionista em um laboratório. Naquela época o casal residia na capital gaúcha – Porto Alegre.
Ao lado da esposa Leda, constituiu sua família, que hoje conta com duas gerações de descendentes: duas filhas e dois netos.
Sobre a família de Agenor, seus pais trabalhavam com uma serraria na comunidade de Bela Vista, interior de Machadinho. O jovem saiu da terra do balneário no ano de 1955. “Eu fui morar em Lagoa Vermelha. Fiquei lá até mil, novecentos e sessenta (1960). De mil, novecentos e sessenta (1960) a sessenta e três (1963) eu fiz o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) em Carazinho”, resume o próprio Agenor.
O curso no SENAI foi feito por meio de uma bolsa de estudos, recebida do Estado do Rio Grande do SUL. “O Estado me pagava a estadia lá em um hotel. Eu morava lá e estudava. Fiz o curso do SENAI”, revela.
Logo após cursar a qualificação do SENAI, Agenor serviu ao Exército Brasileiro. Prestou serviço no município de Cruz Alta, permanecendo lá por 10 meses. “Foi justamente no ano da Revolução, em sessenta e quatro (1964). Saí em outubro daquele ano”, conta Agenor.
Os quatro anos seguintes foram vividos em Caxias do Sul, onde residia a família na época. Logo após, mudou-se, ao lado da família, para Curitiba. Foi naquela cidade que Agenor prestou concurso para ingressar na VARIG, onde percorreu toda sua carreira profissional. “Eu fiz um concurso e entrei na VARIG em sessenta e nove (1969)”, revela.
O machadinhense credita o êxito no concurso que lhe permitiu uma carreira promissora na aviação à qualidade do ensino recebido no SENAI. “O curso era muito forte, era bem intenso. A gente estudava de manhã e de tarde. Era um curso intensivo”, comenta Agenor.
A partir de então, o caminho da carreira foi ascendente dentro da empresa de aviação. O profissional sempre foi lotado na capital gaúcha, porém, o dia a dia era de intensa movimentação entre os estados brasileiros. “Entre noventa (1990) e noventa e três (1993) eu viajei muito. Eu saia fazer inspeção nas bases, então às vezes eu saia na segunda e voltava na sexta – saia de Porto Alegre, depois ia à Foz do Iguaçu, voltava à Florianópolis, depois ia posar em São Paulo. E toda semana eu ia para o Rio, ficava lá trabalhando algumas horas ou o dia inteiro e voltava à noite”, relembra.
O início da carreira foi como técnico. Depois de três anos já era supervisor, comandando uma equipe de profissionais. Quando completou seis anos no corpo de profissionais da empresa galgou o cargo de chefe de sessão. “Acima disso era muito coplicado lá, porque era tipo uma estatal e aí precisava de alto QI. Para cargos de chefe de sessão ou gerência os engenheiros competiam muito, e eu como colono aqui de fora, também não tinha algumas sutilezas de jogo de cintura, não passei acima desse cargo”, revela.
Agenor chegou a ser o chefe de sessão com maior tempo de serviço dentro da empresa, alcançando a marca de 25 anos à frente do cargo. “Eu era o chefe mais antigo, cheguei a ter cinquenta e seis funcionários”, conta.
Eram de responsabilidade do machadinhense, todos os mecanismos que envolviam a entrada de ar nas aeronaves. “O nosso setor abrangia tudo que entrasse ar no avião. Por exemplo, ar condicionado: a gente tinha eletropneumático, pneumático. Outro exemplo: no carburador de um carro entra ar, entra combustível, entra um monte de coisa; no avião tem setecentos tipos, porque o ar é sangrado do motor – o ar quente – e é feito um monte de processo até chegar à cabine para poder respirar”, explica Agenor.
A aposentadoria do setor de aviação aconteceu no ano de 1996. Nesse momento a decisão foi por retornar ao município de Machadinho, onde fixou residência por apenas alguns meses ao lado da esposa Leda. “Minha esposa estava encantada em voltar a morar na Bela Vista, era calmo”, conta.
Depois de aproximadamente seis meses morando no Distrito de Bela Vista, o casal alçou voo para o exterior: foram morar em Los Angeles – EUA, e por lá residiram durante um ano. O retorno a Machadinho aconteceu novamente movido pela tranquilidade, e também pela dificuldade da esposa Leda em relação ao idioma estrangeiro. “Ficamos um ano por lá. Era complicado também porque era uma cidade grande – tinha dezesseis milhões de habitantes –, e a minha esposa também não se adaptou, não falava inglês”, declara.
A experiência em morar fora do país proporcionou boas oportunidades pela troca de informações culturais com pessoas de vários outros lugares do mundo. Foi também a oportunidade de estudar em instituições de ensino e conhecer melhor a língua estrangeira.
Aos mais jovens, Agenor deixa como lição do que aprendeu nos anos em que rodou o mundo, acima de tudo, a necessidade de continuar ativo ao longo da vida. “Eu acho que as pessoas não podem se acomodar. Não interessa a idade que você tem, tem que arranjar o que fazer, porque senão o Alzheimer te pega. As pessoas que não leem, que não pensam, que não têm uma atividade, o Alzheimer pega”, aconselha.
Agindo de acordo com o próprio discurso, Agenor é exemplo de pessoa que busca manter suas atividades. Pelo menos três vezes por semana o machadinhense percorre aproximadamente 14 quilômetros de bicicleta. “Eu jogava bola, mas como coloquei uma prótese agora não posso mais. Agora estou andando de bicicleta”, relata.
Outra dica importante deixada por Agenor é para que as pessoas vivam a própria vida, sem perderem seu tempo ocupando-se com as questões alheias. “De preferência não fale da vida alheia. Se puder ajudar alguém ajude, não faça nada contra as pessoas”, conclui Agenor.
Deixe uma resposta