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Raul Antonio Tessaro completa 70 anos – uma relação de amor com Machadinho

Nascido e criado em Machadinho, Raul Antonio Tessaro completou setenta anos de idade no último dia 12 de novembro (segunda-feira). Ao longo das décadas, formou uma relação muito especial com o município de onde é natural, seja pelas amizades formadas ou pela participação que teve na história da terra do balneário, desde sua emancipação político administrativa.
O machadinhense nasceu na comunidade da Linha Tessaro, no ano de 1948. Por lá deu os primeiros passos e viveu sua infância, ao lado da família que sempre trabalhou com a agricultura. A principal atividade sempre foi a produção de erva-mate. “Sempre trabalhamos com a agricultura, com a erva-mate. Na verdade, sempre trabalhamos com a erva-mate”, relatou em entrevista ao Jornal Folha da Club.
Casou-se com a mãe dos seus dois filhos – Tales e Tobias –, Terezinha Ivanildes Tessaro no dia 16 de fevereiro de 1974. “Foi um dos primeiros casamentos que saíram na cidade. Fizemos o casamento civil e religioso na Linha Bela Vista e a festa na Linha Tessaro”, comentou.
Ambos os filhos nasceram enquanto o casal residia na Linha Tessaro. A mudança para a cidade aconteceu quando Tobias tinha sete anos de idade e Tales, seis. Naquele momento já ficava demonstrada a importância que Raul dava à prática do esporte e dos estudos. “Nós viemos morar na cidade porque não tinha transporte para eles estudarem, não tinha como irem para o ginásio também (treinar futsal). Esse foi o motivo de eu ter vindo morar na cidade”, disse.
A atividade profissional continuou sendo a agricultura, desempenhada com ainda maior esforço a partir de então. “Eu vim morar na cidade, mas continuei trabalhando na colônia. Ia de ônibus, a pé, de carona. Depois comprei um carrinho. Foi assim até noventa e dois (1992), daí eu desisti da agricultura”, relatou Raul.
A aposta na cidade foi uma indústria de enxovais, porém a atividade não continuou por muito tempo. A mudança novamente ocorreu para que os filhos pudessem correr atrás dos seus sonhos de se tornarem jogadores de futebol. “Os guris se formaram e foram para Erechim, aí eu não aguentei e fui atrás. Alugamos uma casa lá e fomos morar para Erechim”, contou. Isso ocorreu em 1996.
O retorno para a cidade natal aconteceu no ano seguinte, em 1997. O motivo que trouxe Raul de volta para Machadinho foi a necessidade de cuidar da propriedade – a Pousada dos Angicos – que a família havia deixado sob os cuidados de um inquilino. “Eu deixei a casa da chácara com os móveis e ficou um rapaz cuidando. Aí o rapaz saiu, eu fiquei com medo de deixar a casa sozinha e voltei para cuidar”, disse.
O incentivo aos filhos para que praticassem futebol deu certo, já que os dois conseguiram jogar profissionalmente.
O envolvimento com o esporte está no DNA da família. Raul foi fundador de um dos clubes de futebol mais tradicionais de Machadinho, o Flamengo. “Essa foi uma das façanhas da minha vida”, contou Raul, se referindo a iniciativa de montar um time de futebol.
“Nós estávamos em nove – eu era o mais velho de todos. Eu disse: ‘vamos fazer um rateio, vamos comprar uma bola, fazer um campinho e sair fora do time do cara (pessoa que era responsável pelo time de futebol do qual até então os jovens da comunidade participavam)’. Eles concordaram. Juntamos um ‘troquinho’ de cada um, compramos a bola e a bomba para encher e já começamos”, relembrou.
O termo façanha – utilizado pelo próprio Raul – se mostra muito adequado para retratar o esforço do grupo de jovens em montar o time, que mais tarde se tornaria clube de futebol. Não havia ao menos um local onde pudessem jogar com a bola recém-comprada. “Lá no pai do Vilson (Tessaro) tinha um potreiro, era meio ladeira; começamos trabalhar e fizemos o tal de campo. Começamos treinar, fomos arrumando, arrumamos mais uns ‘piazinhos’ e conseguimos montar um time com onze atletas”, relatou.
O primeiro jogo da história do time foi muito marcante pelo desafio que representava. O adversário foi Bela Vista, uma das equipes mais respeitadas do município na época. “Nós jogarmos contra Bela Vista não tinha nem lógica”, disse, referindo-se à grande diferença técnica entre os times. Mesmo com a disparidade entre os times, um esquema de retranca montado pelos jovens iniciantes permitiu que arrancassem um empate.
O que motivou a criação do nome do time foi um jogo entre Grêmio e Flamengo, no sábado do mesmo final de semana da partida contra Bela Vista. Naquela oportunidade, o Flamengo tinha uma equipe bastante inferior ao Tricolor Gaúcho e mesmo assim conseguiu empatar a partida. “Para nós aquele jogo era como uma Copa do Mundo. Quando terminou o jogo nós falamos: ‘Isso aqui é puro o Flamengo. Tem que ser Flamengo o nome do time’. Os caras adotaram a ideia e ficou esse mesmo o nome”, declarou.
Entre os muitos campeonatos disputados pelo Flamengo, duas situações ficaram marcadas na memória de Raul, uma positivamente e outra pela frustração que causou.
No Campeonato Municipal de 1986, segundo disputado pelo Flamengo, a equipe conseguiu chegar à final contra a Linha Encruzilhada. O jogo foi realizado no campo do Clube União. “Os homens eram uma máquina de jogar futebol. O time deles era forte e tinha bastante gente”, analisou, se referindo ao time adversário. “Nós armamos uma retranca e fomos para o campo. Nuns trinta minutos do segundo tempo, em um contrataque nós fizemos um a zero. Aí eles enlouqueceram e vieram para cima, não teve jeito, empataram a partida. Fomos para a prorrogação e aguentamos os trinta minutos, acabou zero a zero”, relembrou. Nas penalidades máximas o drama continuou: as primeiras duas do Flamengo foram convertidas e os adversários perderam; na sequência o resultado se inverteu, os dois do Flamengo perderam as cobranças e os adversários converteram. Na última cobrança o adversário perdeu o pênalti e Raul converteu, consagrando o time de jovens atletas como campeões municipais.
O revés aconteceu em um campeonato onde a final era disputada em duas partidas. Contra o Esperança, o primeiro jogo foi vencido pelo placar de 2 X 1. “Fomos para o segundo jogo, fizemos um a zero e ficamos tranquilos: ‘Estamos com o jogo ganho’. Os homens empataram e dali a pouco fizeram dois a um. Fomos para a prorrogação e ficou zero a zero, nas penalidades perdemos o jogo. Perdemos o campeonato que estava ganho”, relembrou Raul, citando a grande frustração que a situação causou.
Fazendo uma avaliação sobre o que o esporte representou em sua vida, Raul destacou a maneira como sempre interpretou essa oportunidade. “Eu sempre fui um cara que se preocupou em jogar futebol, sempre joguei limpo. Eu era um jogador leve e nunca tive uma fratura. Jogando todo esse tempo nunca recebi um cartão amarelo, muito menos vermelho. Pode perguntar se nos campeonatos que participei eu tomei um cartão”, ressaltou.
A mensagem deixada aos jovens e aos gestores responsáveis por estimular a prática às novas gerações é para que seja dada importância diferenciada a esse aspecto. “Enquanto os jovens estão no ginásio, não estão nas ruas, não estão nas drogas. Eu acho que essas escolinhas são muito importantes, tem que dar continuidade. Você tira as crianças das ruas”, frisou Raul.

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