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Contrariando todas as dificuldades que o tempo impôs, Seu Euclides Moreira de Souza segue trabalhando e levando alimentos à comunidade machadinhense

Nosso entrevistado desta semana pode ser considerado a personificação de um sentimento chamado perseverança. Aos 16 anos de idade, Seu Euclides Moreira de Souza, mais conhecido como Seu Cride, sofreu uma “congestão cerebral” que lhe deixou sem os movimentos das pernas, mesmo assim permaneceu lutando e trabalhando para ajudar a manter sua família.
O fato aconteceu quando Euclides tinha apenas 16 anos de idade. Conforme seu próprio relato, a “congestão cerebral” aconteceu quando, ao lado do irmão, foi tomar um banho de rio, logo depois do almoço. “Eu almocei e fui para a água, eu e meu irmão. Se ele não tivesse me tirado da água eu tinha morrido. Era bem no forte do verão quando aconteceu”, relembrou Euclides, em entrevista ao Jornal Folha da Club.
A família estava desesperada, já considerando a possibilidade de o pior acontecer. Somente na madrugada do dia seguinte foi que Euclides recuperou a consciência, depois de ter passado horas praticamente em coma. “Eles me arrumaram e tudo, esperando a morte. Quando foi de madrugada eu vomitei, disseram que parecia um carvão de preto que era (vômito)”, contou.
A vida, que já não era fácil, ficou ainda mais desafiadora. A consciência voltou, mas os movimentos das pernas ainda ficaram faltando. “Eu não consegui mais caminhar, fiquei dez anos arrastando as pernas. Mas eu tinha que trabalhar, tinha os meus irmãos que eram todos pequenos, tinha que ajudar. Não tinha aposentadoria naquela época, tinha que se virar”, disse.
“Eu trabalhei de joelhos, tinha que ganhar para comer. Pode perguntar para o Clade, eu trabalhei para a mãe deles, arrancando feijão naquela época”, relatou Euclides, citando algumas famílias para as quais chegou a trabalhar na época.
Durante a entrevista, a gratidão se mostrou muito forte quando falou sobre a forma como recuperou os movimentos das pernas, depois de ser submetido à cirurgias em Porto Alegre. “O Seu Valdir Ventura, no primeiro mandato dele me levou para Porto Alegre. Lá eles fizeram a cirurgia e eu consegui andar de novo. Ele foi como um pai para mim. Devo a minha vida a ele, porque se não fosse ele eu teria morrido”, agradeceu Euclides. Foram quatro cirurgias durante o tratamento de reabilitação, que durou aproximadamente seis meses.
Passado algum tempo após as cirurgias, mesmo tendo recuperado os movimentos das pernas, Euclides ficou limitado na possibilidade de trabalhar. Então veio a aposentadoria, trazendo uma condição melhor à vida do machadinhense. “Com os documentos, os laudos que vieram de Porto Alegre eu consegui me aposentar. O perito olhou para mim e disse: ‘Se esse não tem direito de se aposentar nenhum outro tem”, contou, referindo-se a avaliação do perito que o avaliou antes de conceder a aposentadoria.
Para proporcionar condições um pouco melhores à família, mesmo com as limitações acarretadas pelo acidente, Euclides procurou desenvolver uma atividade comercial. O empreendedor entrara em ação naquele momento e Seu Cride montou uma tenda no centro de Machadinho, nas proximidades do local onde hoje funciona a Farmácia Piana. “Eu tinha uma cabaninha onde vendia os produtos. Assim eu fui girando até me recuperar da cirurgia”, comentou.
No momento em que foi procurado pela reportagem do Jornal Folha da Club, o trabalhador estava plantando feijão no lote do amigo, Clade. O que produz de excedente ao necessário para a própria subsistência, coloca em seu conhecido carrinho de mão e vai para o centro da cidade fazer a comercialização.
A forma como Cride transporta os alimentos já é conhecida entre os machadinhenses. Com seu carrinho de mão, passa pelas ruas de Machadinho oferecendo os produtos aos amigos. “Eu levo chuchu, salada, aipim descascadinho, o que sobra do gasto. É mais um ‘troquinho’ para ajudar”, declarou.
A convivência com os amigos enquanto vende seus produtos se torna um dos melhores momentos dos dias do nosso entrevistado, já que é conhecido por todos e recebe carinho e atenção por onde passa. “Eu tenho que sair com tempo para a cidade. Se eu sair com pressa, volto para casa depois de meio dia”, comentou, citando as conversas que tem com os amigos que encontra pelas ruas.
As dificuldades sempre foram muitas na vida de Euclides, porém em cada uma das situações difíceis houve uma resposta positiva. Para ele, Deus é o responsável por conduzi-lo em cada passo. “Deus sempre me deu muitas graças. Eu tinha esperança de caminhar e alcancei a graça divina do meu Pai Poderoso. Em todos os passos que dou eu lembro Dele”, revelou Euclides, dizendo que em todas as manhãs faz questão de ouvir a oração do Padre Reginaldo Manzotti, na rádio Club. “Seis horas da manhã eu já recebo a benção do Padre Manzotti. Eu tenho o radinho do lado da minha cama, já recebo a benção e rezo ali junto”, disse.
Além da recuperação do movimento das pernas, Seu Euclides também se considera um agraciado por Deus ao ter tido a possibilidade de criar uma família e orientado os filhos pelo caminho do bem. “Eu fiz o possível para que a educação dos meus filhos não fosse pelo mal caminho. Sempre levei eles junto comigo, ensinando a trabalhar. Hoje os dois trabalham na mesma firma, em Ipê”, ressalta.
Uma das lembranças que apertam o coração de Euclides é a da família reunida, quando sua falecida esposa ainda os fazia companhia. “Eu era muito feliz quando tinha a minha companheira, a gente era muito feliz. Tem dia que bate a saudade”, disse. A companheira, Julivia Viana dos Passos faleceu há onze anos, depois de ter sido acometida por problemas cardíacos, que acabaram acarretando na falência de outros órgãos.
Ao lado de Julivia, construiu uma família com dois filhos, que lhe deram dois netos. O netinho mais novo tem hoje 4 anos de idade e recentemente foi visitado pelo avô, que o viu pela segunda vez. “Eles tinham trazido ele quando era bem pequenininho. Daí eu fui com o Clade a primeira vez (para Ipê, onde os filhos residem)”, relatou, reconhecendo a importância da ajuda recebida do amigo.

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