Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

Menu

Casal Brancalione escolhe Machadinho para desfrutar da melhor idade

Depois de construírem sua vida no município de Caseiros, RS, o casal Leonildo e Trindade Brancalione , com 69 e 77 anos de idade, respectivamente, decidiu mudar de lugar onde desfrutariam da melhor idade. E o local escolhido foi a terra de um dos balneários mais belos e mais modernos do Sul do Brasil – Machadinho.
A escolha não foi por acaso, já que Leonildo tem problemas de saúde e seu médico orientou a família para que frequentasse piscinas com águas termais. E foi o que fizeram, analisando a estrutura da cidade e facilidade de acesso, a decisão foi Machadinho, onde o casal encontrou um ambiente agradável e já conquistou muitos amigos.
Antes de trazer informações sobre a história em Machadinho, porém, vamos oferecer aos nossos leitores um pouco da trajetória de vida do casal anterior a isso.
Ambos são naturais de Caseiros – na época do nascimento, distrito de Lagoa Vermelha –, onde cresceram muito próximos – os pais do casal eram vizinhos. Contudo, antes de se casarem, a vida reservou algumas voltas aos jovens. Leonildo casou-se com outra mulher, Dona Olinda, que após seis anos de casamento acabou falecendo e deixando dois filhos.
Conforme relatado por Leonildo, logo depois que se casou pela primeira vez – aos 20 anos –, deixou a casa dos pais para trabalhar em uma granja de suínos. “Eu cuidava de uma grande granja de porcos, com meu primeiro sogro. Tinha trinta matrizes e quando eu saí, foi vendido e tinha trezentos e oitenta porcos”, contou em entrevista ao Jornal Folha da Club. Depois que a esposa faleceu, permaneceu no emprego por mais três meses, aproximadamente.
Com o falecimento da primeira esposa e tendo os dois filhos pequenos para cuidar, a decisão foi de voltar a morar com os pais. E foram os filhos que motivaram Leonildo a procurar uma companheira para dividir a desafiadora tarefa da criação. “Eu cheguei para ela (Trindade) e não perguntei se ela queria casar comigo, perguntei se ela aceitava cuidar dos meus filhos”, disse Leonildo.
Conforme Trindade, a primeira reação não foi positiva. Como era de família humilde, considerou a proposta como um desdém à sua condição, porém, logo após, os dois se entenderam e iniciaram uma trajetória de parceria incondicional, que completou a expressiva marca de 50 anos no último dia 17 de maio.
O trabalho foi uma constante na vida do casal, inclusive, na primeira semana depois do casamento já encararam o plantio do trigo. “Nós casamos no sábado. No domingo, fomos no pai dele (Leonildo) buscar os guris dele. E na segunda-feira, levantamos e fomos para a roça, plantar trigo”, relatou Trindade.
A criação dos filhos era conciliada com as atividades da lavoura, o que acabou por fortalecer o senso de responsabilidade nos pequenos. “Nós levantávamos bem cedinho, deixávamos os guris dormindo e íamos para a roça. Trabalhávamos até às oito horas, vínhamos em casa, acordávamos eles, dávamos café, colocava o feijão cozinhar e eles cuidavam o fogo. Nunca deixaram o feijão queimar”, relembrou Trindade.
Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas na criação dos filhos, todos receberam condições de estudar e melhorar suas condições de vida. “Conseguimos criar nossos quatro filhos, e mais a criada. Conseguimos dar faculdade e moradia para todos eles, graças a Deus”, declarou a matriarca da família. Família essa que além dos filhos, conta também com sete netos e um bisneto.
Além das bênçãos divinas, o casal credita a conquista que representa a boa criação dos filhos à parceria estabelecida no dia a dia do casal. “Nós sempre trabalhamos juntinhos, nós dois, sempre, sempre. Se tinha ideia de fazer um negócio, ele me falava: ‘vamos, não vamos.’. Se dava fazia, se não, não. Por isso conseguimos criar nossos filhos dessa forma”, disse Trindade.
Sobre a forma como os filhos foram educados, os relatos apontam para uma condução rígida com relação às orientações diárias. “Agradeço a Deus todos os dias pelos filhos que temos. Eu dava horário para brincar, dava horário para fazer os temas, tinha horário para tudo. Eu dizia assim para eles: ‘Não se pega uma bala da mão de ninguém, não se toma um golinho de refrigerante do copo de ninguém. A mãe dá o dinheiro, se querem comprar uma bala, comprem, se querem comprar um ‘refri’, comprem’’, acrescentou Trindade.
Mesmo tendo obtido êxito na criação dos filhos, um fato chama atenção e provoca reflexão na mãe. “Às vezes eu paro e penso: ‘Meu Deus, como eu nunca pensei nisso?’. Eu deixava a mamadeira da minha filha mais nova na caldeira, em cima do fogão à lenha e ia para a roça. Quando ela acordava, o mais velho colocava ela no berço e dava a mamadeira; depois embalava até que ela dormia. Hoje eu lembro do jeito que fiz e nem acredito, como nunca pensei que podia afogar ou acontecer alguma outra coisa”, refletiu Trindade.
Com relação à decisão de mudar-se para Machadinho, alguns fatores foram determinantes. O primeiro foi o benefício que as águas termais proporcionariam a Leonildo. “Ele se trata com um médico em Passo Fundo e foi orientado para que frequentasse mais as águas termais. Quando ele vai nas águas, a pele dele fica lisinha. É muito bom”, declarou Trindade.
O segundo motivo foi a boa localização, com acessos asfálticos que favoreciam o deslocamento. “Nós íamos em Marcelino Ramos ou Piratuba, mas tinha os pedaços de estrada de chão daí judiava muito o carro. Até que um dia uma pessoa perguntou para nós: ‘Por que vocês não vão para machadinho? É tudo asfalto.’ Mas nós não conhecíamos Machadinho”, relatou Trindade. Após um convite de Leonildo, decidiram visitar o município em um final de semana e conhecer a possibilidade que surgira.
Foi então que um dos fatores mais determinantes para a decisão final se apresentou: as amizades começaram a surgir desde aquele final de semana. “Nós nos encontramos com o pessoal da Terceira Idade daqui nas águas. Nossa Senhora, fizeram uma festa que nossa! Disseram para nós virmos morar em Machadinho, que era muito bom morar aqui”, declarou nossa entrevistada. Não demorou muito, o casal vendeu um terreno em Caseiros, adquiriu uma casa em Machadinho e fixou residência na terra do balneário. Hoje, a nova morada já conquistou o coração do casal.
Finalizando a entrevista concedida ao Jornal Folha da Club, o casal com 50 anos de parceria deixou uma mensagem aos jovens que estão começando uma trajetória a dois. “Hoje em dia a gente vê tanta separação que dá uma tristeza. É tanta criança sofrendo, que ‘botam’ no mundo e daí se separam. O negócio tem que ser junto, unido, conversar, de olho a olho. Se tem alguma coisa que não está bem, sentem e se conversem, que daí endireita – ou endireita ou entorta. Nós começamos e sempre estivemos juntos, na roça ou em qualquer outra coisa e é assim que deve ser”, orientou Trindade.

Casal Branconceli escolhe Machadinho para desfrutar da melhor idadeWhatsApp Image 2019-05-27 at 17.30.04

Deixe seu comentário:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie na Club!