Depois de 187 dias fora, o centroavante Braithwaite volta a ser relacionado pelo Grêmio e fica à disposição de Luís Castro para o duelo contra o Vitória, nesta quinta-feira, na Arena. O dinamarquês ainda precisa readquirir ritmo de jogo, mas pode, aos poucos, se colocar como alternativa ao artilheiro Carlos Vinicius. Ou há espaço para os dois?
Braithwaite chegou ao Grêmio em julho de 2024. Na época, disputava vaga com Diego Costa. Trouxe na bagagem duas Copas do Mundo pela Dinamarca e uma passagem pelo Barcelona, onde foi contratado para substituir Luis Suárez, lesionado no começo de 2020.
O dinamarquês chegou a atuar ao lado do uruguaio, já recuperado. Foram quatro partidas, uma como titular, em trio de ataque com Messi, e outras três no decorrer do jogo. Demonstra versatilidade do atacante.
No Brasil, Braithwaite teve adaptação rápida e conquistou o torcedor gremista pelo carisma, português claro, interesse na cultura gaúcha e, claro, gols. Até a lesão no tendão de Aquiles, em setembro de 2025, era o principal nome do Tricolor, com 15 gols e três assistências em 35 jogos. Terminou a temporada passada como artilheiro da equipe.
Porém, a já conhecida dança de Braithwaite deu lugar à “pose” de Vinicius. O centroavante passou a ter espaço com a lesão do companheiro e correspondeu. Nas 28 partidas disputadas desde a lesão do dinamarquês, marcou 22 gols, com direito a três hat-tricks. Nesta temporada, esteve em campo em todas as partidas do Grêmio.
Diante deste contexto, surge o questionamento se é possível os dois atacantes jogarem juntos.
Luís Castro parece ter uma resposta. Em entrevista recente, o técnico sinalizou que Braithwaite disputará posição com Carlos Vinicius. Para comentaristas do Grupo Globo, o dinamarquês tem características distintas, mas, no atual sistema de jogo gremista, será reserva.
O ge reuniu comentaristas para saber se o dinamarquês tem espaço no time e como poderia ser aproveitado. Veja as respostas:
Grafite – comentarista do Sportv
É difícil encontrar espaço para o Braithwaite no atual sistema de jogo do Luís Castro, que não tem o costume de jogar com dois atacantes, gosta de jogar com os meninos abertos. O Braith tem característica para fazer um meia, um segundo atacante, mas não pelos lados. E o fato de o Castro estar trabalhando com ele só agora, não ter conhecido ele durante a pré-temporada, faz com que, para mim, ele seja reserva, por tudo que o Carlos Vinicius está fazendo. Mas o futebol é dinâmico. O Braith estando bem física e tecnicamente, pelo que já apresentou, pela característica e personalidade, pode fazer um segundo atacante. O dia a dia de treinamento vai dizer. Mas hoje ele é reserva do Carlos Vinicius no time do Grêmio.
Diogo Olivier – comentarista do Grupo RBS
Em princípio, Braithwaite é reserva de Vinicius. Mas quantos times no Brasil têm dois centroavantes de grife assim? O calendário é duro. O dinamarquês dá opção para uma formação mais radicalmente ofensiva. Na origem, Braithwaite é segundo atacante. Veio para dentro com o tempo, pode jogar por trás de Vini, por exemplo, ou ao seu lado, na área, redesenhando o time para o 4-1-3-2. Do meio para frente, conforme o nível da necessidade de atacar: Noriega (Arthur), Enamorado, Arthur (Monsalve ou Willian) e Amuzu; Braithwaite e Vini.
Leonardo Oliveira – comentarista do Grupo RBS
Braithwaite voltará e encontrará um novo dono da posição. Pode ser que, mais à frente, ganhe espaço para provar que Castro pode usar um nove menos ortodoxo. Porém, os times do técnico português costumam ter sempre um centroavante de área, terminal. Braithwaite é de movimentação. Em momentos circunstanciais, os dois podem até atuar juntos. Mas não vejo muito isso acontecer desde o início, observando a maneira como está moldado este Grêmio, com tripé no meio, dois extremas e o nove posicionado.
Rodrigo Coutinho – comentarista do Sportv
Acho que tem espaço, sim. Braithwaite durante muito tempo da carreira jogou pelo lado do campo, por mais que o momento seja diferente, mas em determinados jogos, contra determinados laterais, ele pode jogar sim, partindo do lado. Não vai ser aquele atacante preso do lado do campo, vai circular da lateral para o meio, buscando tabela com o Carlos Vinicius, que faz o pivô muito bem. O Braith é muito bom conduzindo de frente, então vejo uma combinação no jogo deles ou até mesmo como dupla de ataque. O Grêmio pode, às vezes, jogar com uma dupla de atacantes centrais, com Willian, Enamorado ou Amuzu partindo de um dos lados. Na verdade, Braithwaite jogou mais vezes de centroavante no Grêmio por não ter alguém a altura pra jogar ali, depois da saída do Suárez, então dá pra encaixar os dois perfeitamente. E na meia central não tem nenhuma unanimidade, tirando o Amuzu que vive grande fase recente, os demais jogadores tentam se afirmar. Acho que o Braithwaite não pode ser descartado nessa briga por posição.
Fonte: ge
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