Ao contrário dos próprios conceitos mais utilizados no futebol, Paulo Pezzolano adaptou suas ideias no Inter e, até o momento, parece ter encontrado uma rota. O chamado “jogo reativo” foi adotado pelo treinador, o time abdicou da posse de bola para encontrar o encaixe e, assim, ser mais competitivo. Mas, na prática, como isso acontece?
No “tatiquês”, ser reativo significa esperar deliberadamente. O Inter passou a aceitar ter menos menos a bola para controlar melhor os espaços. A prioridade deixou de ser propor o jogo. Passou a ser defender com organização e atacar a partir do erro do adversário.
– Você reage ao estímulo do adversário. O adversário tem a bola, estimula a sua defesa, se protege, você rouba e acelera. Esse é o principal ponto. Primeiro, sofrer menos finalizações do que o adversário. Ou menos finalizações perigosas em relação ao adversário, e ter um time rápido para contra-atacar, porque se o adversário tem a bola, está exposto, está no seu campo de defesa te atacando, automaticamente ele vai deixar lacuna para você contra-atacar – explica Rodrigo Coutinho, comentarista do Grupo Globo.
A estratégia ficou clara na vitória por 2 a 0 sobre o Fluminense, no Beira-Rio, na rodada passada do Campeonato Brasileiro. Na entrevista coletiva, Pezzolano admitiu o novo comportamento da equipe.
– É um time um pouco mais reativo, focado na defesa e que busca o ataque. Um estilo combativo, em que todos os 11 defendem e atacam, muito disciplinados taticamente e com paciência sem a bola – afirmou.
A mudança tem relação direta com a análise feita após as partidas iniciais do Brasileirão. O Inter até criou bastante, mas não venceu nas primeiras cinco rodadas. O diagnóstico levou Pezzolano a ajustar o plano.
– Pezzolano passou a montar um time que mais espera o adversário do que propõe jogo. Isso protege a frágil defesa, que tem menos campo para cobrir, e favorece as características de jogadores como Bernabei, Vitinho e Carbonero, que sabem atacar espaços. Acaba prejudicando, por exemplo, Alan Patrick, que joga melhor quando o time tem mais a bola – analisa Cristiano Munari, comentarista da Rádio Gaúcha.
O primeiro resultado positivo de um Inter mais reativo ocorreu na vitória sobre o Santos, na Vila Belmiro, em que a equipe priorizou o coletivo ao individual. Pezzolano sacou justamente Alan Patrick e deixou o time reagir.
– Você tenta controlar o espaço do adversário, o acesso à sua grande área, à zona de finalização, e aí você pode variar, com uma marcação dentro do próprio campo ou uma marcação em bloco médio ou bloco alto. O Inter varia isso, dependendo do local do jogo e do momento do jogo também – acrescenta Coutinho.
O jogo reativo, portanto, é menos sobre posse e mais sobre organização. Menos protagonismo com a bola e mais eficiência sem ela.
– O momento é de privilegiar o coletivo, e para esse elenco do Inter é melhor primeiro marcar, esperar e reagir ao adversário. Longe de ser brilhante, mas é uma fórmula efetiva para evitar um novo risco de rebaixamento – conclui Munari.
Fonte: ge
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