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Empresário que doou R$ 20 milhões ao Inter alerta: “Se cair, fica mais difícil se levantar”

“Eu sou apaixonado pelo Inter e precisava ajudar”. Foi com essa frase que Delcir Sonda resumiu a decisão de doar R$ 20 milhões ao Inter. Preocupado com a crise financeira e o risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o empresário realizou o aporte na última semana para quitar débitos com os jogadores e evitar o agravamento da situação.

O histórico investidor e conselheiro colorado concedeu entrevista ao ge na terça-feira. Além de comentar a doação, explicou qual será seu papel na próxima eleição do clube, criticou duramente a gestão do presidente Alessandro Barcellos e alertou para as graves consequências caso o clube seja rebaixado à Série B:

Momento atual do time

O mecenas colorado liberou a quantia na véspera da partida contra a Chapecoense. O Inter chegou para enfrentar os catarinenses sem vencer há 10 partidas no Brasileirão e afundado na zona de rebaixamento. A situação dramática na tabela deixou Sonda receoso de que um tropeço na Arena Condá empurrasse de vez a equipe para a segunda divisão.

Deu certo. O time de Paulo Pezzolano fez as pazes com a vitória ao derrotar a Chape por 2 a 1. O resultado não tirou o Inter do Z-4, mas trouxe esperança por uma reação. O que não será fácil. Sonda está na torcida pela reversão nas 11 partidas restantes, mas não esconde as críticas ao nível técnico do elenco.

– Vou torcer para que dê certo, mas o time é muito ruim – dispara.

O empresário, inclusive, recebeu um convite para visitar a delegação no fim de semana. O Inter viaja na sexta para São Paulo, onde enfrenta o time de Dorival Júnior no sábado, no Morumbis. Gostaria de visitar a delegação, mas ainda precisa conciliar o compromisso com a agenda.

“A gestão é péssima”

O descontentamento do empresário vai além do campo. Sonda critica duramente os seis anos da gestão de Alessandro Barcellos. Para o investidor, a falta de resultados esportivos e a dívida do clube, próxima de R$ 1 bilhão, refletem o cenário administrativo.

– A gestão é péssima e só nos complicou. Quebrou tudo. Devia ter montado uma equipe de trabalho muito melhor. Você precisa ser humilde e gerir com cuidado. Não pode deixar uma dívida dessas sem fazer nada para combater – opina.

O parceiro colorado também condenou a aproximação do presidente com o empresário Elusmar Maggi durante o último processo eleitoral. Criou-se a expectativa de que o bilionário do agronegócio, que é colorado, participasse do segundo mandato de Barcellos, o que não se confirmou.

– Não gostei do que aconteceu. Ele (Barcellos) bateu fotos com o cara do Centro-Oeste, que vem de uma família muito rica. Postou fotos, mas nunca foi próximo. Ele (Maggi) não é do futebol – critica.

Outra crítica de Sonda é o trabalho nas categorias de base. O Colorado promoveu uma reformulação no setor após colecionar péssimos resultados. Caiu para a Série B do sub-20 no ano passado, não subiu neste ano e foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil da categoria para o Barra-SC.

No grupo principal, não há jogadores formados no clube entre os titulares. Apenas Anthoni, Allex e João Victor têm espaço com o técnico Paulo Pezzolano, além de Victor Gabriel, que chegou a jogar pelo profissional do Sport, mas, atualmente, cumpre suspensão.

A dificuldade em revelar jovens diminui o poder de mercado, avalia o empresário. O Inter não consegue vender jogadores e está longe da meta de R$ 205 milhões estipulada para esta temporada.

– Fico muito triste. Como um clube com o tamanho do Inter não consegue produzir na base? Qualquer jogador é vendido por, pelo menos, R$ 50 milhões. O Palmeiras cresceu muito com a venda dos meninos ao exterior. Imagina um clube sem base? É o fim do mundo – define.

Cobrança ao Inter na Justiça

A situação financeira do Inter impacta o próprio empresário. Apesar da parceria histórica, Sonda cobra do Inter na Justiça uma dívida de R$ 60 milhões por meio das empresas do grupo que lidera. O investidor alega que buscou diálogo com a direção. Sem sucesso.

– Mandei um advogado da empresa tentar negociar. Prometeram e prometeram. Tem uns seis, sete títulos no cartório, mas não pagaram. Foi para juízo. Se fosse uma gestão séria… Sei que o Inter não tem condições, mas que pudessem pagar um pouco. Nem isso fizeram. Sempre procurei ajudar. Sou doente pelo Inter – lamenta.

Duas das cobranças são referentes aos direitos econômicos de D’Alessandro. A DIS Esportes tinha 50% do meia argentino, que encerrou o contrato com o Inter em 2020 e foi para o Nacional do Uruguai. Com a saída sem custos, a dívida ficou para o clube gaúcho.

O ex-meia não foi o único jogador contratado pelo Inter nos últimos anos com a participação de Sonda. Nomes como Kleber, Aránguiz, Nilmar, Anderson, Luque, entre outros, também desembarcaram no Beira-Rio com aporte do mecenas.

Papel na próxima eleição

Os movimentos ocorreram também pela relação que Sonda tinha com dirigentes que estavam no poder à época. Fernando Carvalho, Vitorio Piffero, Giovanni Luigi, Marcelo Medeiros e Roberto Melo eram de um mesmo bloco político, do qual o investidor faz parte atualmente.

O conselheiro, inclusive, foi apoiador da candidatura de Melo na última eleição em 2023. Durante a campanha, Melo prometeu dar a Sonda uma cadeira no Conselho de Gestão do clube caso fosse eleito, mas acabou derrotado pela chapa de Alessandro Barcellos.

Sonda diz que hoje não tem condições pessoais e de saúde de estar na linha de frente. Nos últimos anos, perdeu três irmãos. Um deles, Idi, com quem dividia a condução dos negócios da família. Ele próprio enfrentou problemas de saúde e permaneceu um longo período hospitalizado.

– Fiz cirurgia e fiquei quatro meses no hospital. Cheguei a ficar 22 dias em coma, mas Deus me segurou. Agora estou há 60 dias em casa, mas preciso cuidar da saúde – avisa.

Caso Melo, que é pré-candidato à próxima eleição seja eleito presidente do Inter, Sonda promete colaborar com o projeto. Porém, vê com reticências a possibilidade de ocupar um cargo no clube.

– Nunca deixarei de ajudar. Não tive filhos, não sou casado. O que mais amo na vida é o clube. Se o Melo for eleito, vou ajudar, mas não posso largar a empresa. Há cinco anos, eu podia, mas hoje estou sozinho – conclui.

Fonte: ge

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