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Machadinho: Uma poesia que atravessou 51 anos – A busca de seu Euclides e a sensibilidade de dona Amélia

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Há histórias que o tempo não apaga. Pelo contrário: quanto mais os anos passam, mais elas se tornam fortes, simbólicas e cheias de significado. Uma dessas histórias ganhou novos capítulos em 2026, mas teve início em uma estrada de chão, ainda em 1975, na localidade de São Luís Rei, entre os municípios de Sananduva e Cacique Doble.

Naquele ano, o então vendedor viajante Euclides Antonio Smiderle percorria comunidades do interior em sua caminhonete, enfrentando estradas precárias e longas distâncias. Em uma noite já tomada pela escuridão e chuva, sua viagem foi interrompida: o veículo acabou atolando, impossibilitando qualquer avanço. Sem alternativa, seu Euclides seguiu a pé até a primeira casa que encontrou, em busca de ajuda.

O que ele encontrou ali foi muito mais do que auxílio mecânico. Foi acolhimento. O morador da residência, senhor Armando Biavati, abriu as portas de sua casa e, junto com a família, ofereceu abrigo, segurança e descanso a um viajante até então desconhecido. Um gesto simples, mas profundamente humano, que marcaria para sempre a memória de seu Euclides.

Naquela noite, em meio às conversas, o senhor Armando contou que havia sido o segundo Prefeito de Machadinho no ano de 1964 e ainda recitou uma poesia que havia escrito em homenagem à própria mãe. Os versos, carregados de sensibilidade, tocaram profundamente o visitante. Ao perceber a emoção causada, Armando prometeu escrever a poesia e entregá-la ao viajante quando ele retornasse à região. Mas a vida seguiu outros caminhos. Ainda em 1975, seu Euclides deixou a profissão de vendedor e nunca mais voltou àquelas estradas.

Mesmo assim, o gesto de acolhida e a poesia permaneceram vivos em sua lembrança por décadas. Já estabelecido no ramo da construção civil — atividade que exerce até hoje — aquela noite seguia retornando à sua memória, como um capítulo especial de sua própria história.

Cinco décadas depois, em 2026, morando em Caxias do Sul, seu Euclides decidiu retornar à região, acompanhado de sua esposa. Hospedado em Machadinho, no Machadinho Thermas Resort e Spa, trouxe consigo um objetivo movido pela gratidão e pela esperança: reencontrar alguém da família Biavati e, quem sabe, finalmente receber a poesia prometida 51 anos atrás.

A busca o levou até a Biblioteca Municipal Archimino Rebeskini. Ao procurar informações sobre a Rádio Club FM, foi recebido pelas atendentes Selia e Vânia. Em meio à conversa, ao compartilhar sua história e deixar para a biblioteca um exemplar de seu livro, algo inesperado aconteceu. Vânia reconheceu o sobrenome Biavati e revelou conhecer familiares do senhor Armando. Um simples telefonema mudaria o rumo de toda a jornada.

Do outro lado da linha estava dona Amélia, filha do saudoso Armando Biavati — homem que, além de acolher um viajante em necessidade, também marcou a história de Machadinho como seu segundo prefeito, em 1964. Com emoção, veio a confirmação que selaria essa história: dona Amélia havia guardado a poesia escrita por seu pai durante todos esses anos, preservando-a como uma recordação preciosa e cheia de significado.

Foram 51 anos de espera, memória e cuidado. A sensibilidade de dona Amélia em manter viva aquela poesia encontrou, finalmente, a perseverança de seu Euclides, que nunca deixou de valorizar um gesto de bondade recebido em uma noite distante (Poesia registrada entre as fotos da matéria).

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Essa é uma história sobre gratidão, humanidade e sobre como pequenos atos de generosidade atravessam o tempo, ligando pessoas, destinos e gerações. Uma história que começou em uma estrada de chão batido e encontrou seu desfecho no coração de quem nunca deixou o bem se perder. (Confira abaixo os registros do encontro entre seu Euclides e dona Amália)

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