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Último título do Grêmio no Beira-Rio foi “profetizado” entre reservas; ex-atletas contam bastidores

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gremio 06 02 2026

Vinte anos depois da última conquista no Beira-Rio, o Grêmio pode repetir o feito no Gre-Nal deste domingo, a partir das 18h, no segundo jogo da final do Gauchão. Em 2006, um grupo cicatrizado pela Série B no ano anterior ficou com a taça do estadual após empate em 1 a 1 na casa colorada. O título foi profetizado entre reservas que se aqueciam para o segundo tempo.

O desafio de duas décadas atrás era, sem dúvida, maior do que o atual. No primeiro confronto, no Olímpico, em vez dos dilatados 3 a 0 de 2026, houve empate sem gols. Igualdade no placar no segundo jogo, mas com gols, dava o título ao Grêmio, em função do antigo “gol qualificado”.

Personagens que participaram daquela conquista lembram que o Inter – campeão mundial no fim daquele ano – era tido como amplo favorito naquele campeonato. O ge conversou com o zagueiro Pereira, o volante Jeovânio, capitão nos clássicos decisivos, e o atacante Pedro Júnior, autor do gol do título. O trio contou bastidores da campanha e da pressão enfrentada no Beira-Rio com 57.541 pessoas.

– Todos no Rio Grande, tirando os torcedores do Grêmio, colocavam o Inter como favorito. Mas a gente, dentro do grupo, tinha sempre uma convicção muito forte que a gente poderia chegar – recorda Pedro Júnior.

– 100% da imprensa falava que eles seriam campeões – atesta Jeovânio.

Posta a diferença de expetativa entre os times e o empate em 0 a 0, tática e emocional ganharam peso especial na preparação para o segundo clássico. Calejado pela Batalha dos Aflitos e técnico em ascensão no futebol brasileiro, Mano Menezes teve atuação crucial na conquista.

– O Mano sempre foi um treinador estratégico. Algumas coisas foram desenvolvidas ao longo da semana. Primeiro, na questão tática. Sabíamos que tínhamos que fazer um jogo de excelência. O Mano estruturou muito bem a equipe. No primeiro jogo, com dois laterais-direitos (Patrício e Alessandro). No segundo, com dois laterais-esquerdos (Escalona e Wellington). Acho que isso bagunçou um pouco o Abel (Braga, técnico do Inter) – explica Pereira.

E teve a questão motivacional. Todos davam o Inter como favorito, diziam que ia ser fácil. Isso foi trabalhado durante a semana, com recortes de jornais. Não adianta, isso faz a diferença.
— Pereira, zagueiro do Grêmio no título do Gauchão de 2006

Coube aos atletas mais experientes o papel de tranquilizar os jovens talentos, como o volante Lucas Leiva e o goleiro Marcelo Grohe, ambos com 19 anos e titulares no clássico. O favoritismo do Inter somado à casa cheia tornavam o ambiente ainda mais hostil para as então promessas da base tricolor.

– A nossa referência era o Sandro Goiano, mas tínhamos outros jogadores experientes que incentivavam os mais jovens, como o Pereira, o Patrício, o Marcelo Costa, o Lipatín. Dizíamos para eles (os jovens) que a responsabilidade era nossa, mas sabíamos o talento que eles tinham. O Lucas e o Marcelo também tinham muita personalidade – afirma Jeovânio, que hoje é diretor do Itaberaí, clube de formação de Goiás.

Passada a preparação, o Gre-Nal se desenrolou de forma equilibrada no Beira-Rio. O Inter tomava a iniciativa, mas as chances de gol eram poucas. Até que Fernandão abriu o placar aos 12 minutos do segundo tempo.

Nesse momento, os reservas do Grêmio estavam no aquecimento. E Marcelo Lipatín profetizou com sotaque uruguaio o que na hora pareceu uma loucura:

– Foi bom que saiu o gol.

Pedro Júnior, outro garoto do elenco, com 19 anos, lembra da conversa que guarda até hoje como um dos momentos marcantes daquele domingo.

– Eu olhei para ele na hora assim e falei: “Por que, guerreiro?”. O gol, a gente está perdendo o título. Ele falou: “Não, agora um de nós dois vai entrar, e quem entrar vai fazer o gol do título”. Aí logo em sequência o Mano me chamou para entrar – sorri, ao contar, o ex-centroavante, atualmente empresário de jogadores.

Dezessete dias antes, Pedro Júnior havia sido o vilão da queda precoce do Grêmio na segunda fase da Copa do Brasil. O Tricolor decidiu nos pênaltis a vaga contra o 15 de Novembro, de Campo Bom, e o centroavante paraense bateu a sexta cobrança na trave.

No vestiário, após a eliminação, Jeovânio deu o primeiro sinal para Pedro Júnior de que o futuro seria melhor.

– Eu falei para ele: “Às vezes, a gente não sabe o que Deus está preparando”. Usei minha experiência para proteger o menino. O pênalti perdido, depois do título do Gauchão, foi apagado – lembra o ex-volante.

Pedro Júnior entrou no lugar de Ramon aos 16 minutos da etapa final. Pouco tempo depois, sofreu falta na intermediária. Marcelo levantou a bola na área e, ele mesmo, Pedro Júnior torneou de cabeça para fazer o gol do empate e do título.

Foi a segunda vez na história que o Grêmio conquistou um título dentro do Beira-Rio. Só havia ocorrido no Gauchão de 1980. Com o empate em 0 a 0 no último jogo do hexagonal decisivo, na casa do rival, o Grêmio confirmou a taça.

Fonte: ge

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