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Confronto na reserva do Votouro tem quatro vítimas, entre elas um recém-nascido

Uma disputa interna envolvendo dois grupos indígenas terminou com três mortos, troca de tiros e uma grande mobilização das forças de segurança, além de um recém-nascido que morreu no parto nesta terça-feira (13), na Terra Indígena de Votouro, em Benjamin Constant do Sul, no norte do Rio Grande do Sul.

Os três indígenas mortos no conflito foram identificados como Alexandro Brandino, de 25 anos, Silvano Domingos Candoia, de 30 anos, e Alvaro Ferreira, de 37 anos.

De acordo com o tenente-coronel Maurício Paraboni Detoni, comandante do 13º Batalhão de Polícia Militar (13º BPM), de Erechim, o confronto teria sido motivado por divergências políticas internas na comunidade. De um lado estaria um grupo ligado ao atual cacicado e, do outro, indígenas descontentes com a administração.

A Brigada Militar esteve no local durante a madrugada e tentou intermediar uma negociação entre os envolvidos. A tentativa, porém, não teve resultado. Em determinado momento, integrantes dos dois grupos passaram a se enfrentar utilizando pedras e pedaços de madeira, fazendo com que os policiais deixassem a área.

Após a saída das equipes, por volta das 5h30, um indígena pertencente ao grupo contrário ao atual cacicado foi morto após ser atingido por dois disparos de arma de fogo.

Ao longo da manhã, a situação voltou a se agravar e o Batalhão de Choque da Brigada Militar foi acionado. Conforme o comandante do 13º BPM, por volta das 11h30, as equipes constataram que integrantes do grupo de oposição avançavam em direção ao cacicado portando armas.

Segundo Detoni, diante da possibilidade de um novo ataque, os policiais se aproximaram para intervir. Nesse momento, conforme a Brigada Militar, foram efetuados disparos de arma de fogo contra os agentes, que reagiram. Durante o confronto, outros dois indígenas morreram.

A estimativa é de que aproximadamente 70 pessoas tenham participado dos confrontos, divididas entre os dois grupos.

Durante a atuação policial, um indígena foi preso. Também foram apreendidos dois revólveres, duas espingardas calibre 12 e munições. Outros envolvidos teriam fugido em direção a áreas de mata próximas à comunidade.

O episódio ainda teve outra consequência grave. Uma mulher indígena grávida perdeu o bebê durante a situação de conflito. Conforme informações da Brigada Militar, ela entrou em trabalho de parto e teria sido impedida de deixar a terra indígena. Houve complicações durante o parto e o bebê não resistiu até a chegada ao hospital.

As circunstâncias das mortes e dos confrontos deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.

Fonte: Rádio Uirapuru

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