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Fernando abriu o jogo sobre a passagem pelo Inter ao falar da lesão no joelho direito, da rescisão de contrato e das conversas por um possível retorno. Identificado com o clube, o agora ex-volante admitiu frustração com a saída de Porto Alegre e disse que poderia ter ajudado na luta contra o rebaixamento no fim do Brasileirão do ano passado.
Agora aposentado, o Polvo aceitou falar com o ge na tarde de segunda-feira. Tratou sobre diversos temas. Entre eles, claro, a passagem pelo Colorado, que durou de fevereiro de 2024 a junho de 2025, com o distrato dois meses depois.
O ex-camisa 5 era um dos pilares da equipe, então comandada por Roger Machado, quando sofreu a lesão no joelho direito durante a derrota por 2 a 0 para o Fluminense. Aquele 1º de junho marcaria o último jogo da carreira.
Triste pelo problema, retornou a Goiânia para iniciar tratamento. Com estimativa de parada entre quatro e cinco meses, Fernando pretendia permanecer mais tempo perto da família. Ali houve o ruído com o clube.
A direção desejava a sequência no CT Parque Gigante por precisar tratar todos da mesma forma. O que avalia como correto, mas que acredita que a questão humanitária poderia sensibilizar e abrir exceção. Sem acerto, as partes buscaram a rescisão.
O time já oscilava, mas despencou após perder Fernando. Lutou até a última rodada para evitar a queda. Algo que o ex-volante acredita que poderia ter amenizado pela experiência e relação no vestiário.
No início de 2026, as partes voltaram a conversar. O Inter propôs um retorno, mas não houve acordo. A aposentadoria foi definida, e Fernando avalia os próximos passos, mas sem esquecer do período de Beira-Rio e o carinho construído com companheiros, funcionários e torcedores.
Vida nova, Fernando?
Agora é diferente. Uma vida que eu nunca tive. Foram 20 anos jogando futebol, sempre viajando por todos os lados e concentrações. Agora faço aquilo que nunca fiz. Estou mais perto da família e levo os meus filhos à escola. Por enquanto, não senti falta da bola. Acho que daqui a pouco sentirei, mas estou muito contente.
O Fabinho (Soldado, executivo de futebol) me procurou e conversamos bastante. Deixou as portas abertas. Falei ao pessoal que treinaria e veria como estava o meu joelho, se realmente eu tinha a possibilidade de voltar. Fiz treinos aqui em campo, depois fui para o campo. Treinar todos os dias e jogar é totalmente diferente. Aí decidi parar por aqui mesmo.
No período que você voltou a Goiânia para iniciar o tratamento, o Inter chegou a oferecer uma renovação enquanto tratava aí e depois regressaria a Porto Alegre?
Não, não! Não houve essa conversa, mas que eu regressasse a Porto Alegre para não fazer o tratamento aqui.
Digo que não, que quero ficar por aqui e é onde vem a primeira conversa de rescisão de contrato. Falei “beleza! Vamos para a rescisão” e rescindimos em comum acordo.
Entre a rescisão e depois vocês tentaram encontrar uma forma de mudar e você ter um período de recuperação para voltar?
– Quando fizemos a rescisão, eles colocam que eu poderia voltar ao Inter, que teria a cláusula de prioridade de regresso. Aceito naturalmente. Minha intenção não era sair do Inter, não queria ir a outro clube. Teve a conversa em janeiro para eu regressar.
Conversamos bastante porque o meu carinho pelo Inter é muito grande. Fui muito feliz no Inter e cogitei voltar. Depois, pensando bem, vendo o joelho, como reage, onde há a conversa de “opa! Não consigo mais. Muito obrigado, gente, mas vou ficar por aqui mesmo”.
Acredita que poderia ajudar o Inter no fim do Brasileirão do ano passado?
– Vim pronto para isso. Regressaria muito bem. Vim para a Goiânia primeiro para estabilizar a cabeça, porque não podia treinar, fazer nada. Depois, determinado para quando começasse a treinar. Tenho certeza de que voltaria muito bem. Depois, se continuaria a jogar, não sei, mas voltaria e ajudaria.
Quando vem esse balde de água fria em mim, desanimo. Vem a rescisão e eu paro de treinar como estava treinando.
Eu tinha certeza de que me recuperaria antes do tempo, que ajudaria o Inter a não passar pelo que passou. Isso eu tinha certeza de que conseguiria.
Achou que o Inter cairia?
– Ah! Quando chegou ali em Santos contra o São Paulo, para mim, o Inter estava sem chance de fugir do rebaixamento. Foi um milagre. Ninguém contava com aquilo. Foi um jogo bem apático, bem abaixo, desanimador. Falei “putz! Agora o Inter não tem chance, não vai sair do buraco”. Mas vieram aqueles resultados espetaculares e o Inter ganhou. Foi uma lição para o Inter não passar mais por aquilo.
Acompanhou o Inter após a rescisão?
– Muito, muito! A amizade com o pessoal era muito grande. Ajudava os meninos, tentava orientar e mostrar o caminho… É muito difícil hoje em dia você conseguir focar só no futebol. As redes sociais distraem muito os jogadores.
Tentava sempre fazer esse meio de campo, ajudar os meninos a se blindar, não consumir coisas ruins. Estava sempre em conexão com todo mundo, fazia a ligação da equipe com a diretoria. Era uma relação muito boa.
Ficava sempre em contato com os meninos e vi tudo o que passaram. Estava no grupo ainda. Foi um momento muito delicado. Todo mundo sofreu bastante. Sofri aqui de casa também. Passar por isso não deve ser nada fácil. Foi muito difícil. Espero que o Inter não passe por isso jamais novamente.
Tem uma entrevista do D’Alessandro que fala que você era um craque, mas que não poderia permitir um tratamento diferente dos outros.
Concordo com ele, não está errado. O clube é soberano. O que falar, está feito, direito, entendeu? A única coisa que eu tentei foi que olhassem para o Fernando ser humano e ajudá-lo no momento de dificuldade. Nunca fui um cara malandro, o nunca cheguei atrasado, acima do peso e nem fiz coisas erradas na carreira.
Tem de identificar o ser humano, ver o… “Ah! Esse é um cara que não fará sacanagem com o clube”, entendeu? O que tentei passar foi isso, mas não houve essa troca, não aceitaram e o clube está mais do que certo. O certo é todos tratarem lá. Eu não tiro do clube.
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