Contratações sob controle
A restrição orçamentária influenciou diretamente a atuação dos rivais no mercado. No Beira-Rio, a direção apostou em um modelo que reduz impacto imediato no caixa, priorizando jogadores livres no mercado, empréstimos sem custos ou operações de baixo investimento.
Paralelamente, buscou reduzir despesas, com quase 20 saídas na temporada. Entre elas, o empréstimo do zagueiro Clayton Sampaio e a rescisão do volante Richard, dois jogadores que estavam fora dos planos da comissão técnica. O principal alívio na folha, porém, veio com a saída de Borré, um dos maiores salários do elenco.
No Grêmio, a mudança de postura ocorreu após um investimento próximo de R$ 100 milhões na primeira janela de transferências do ano.
A partir daí, a diretoria passou a priorizar atletas livres no mercado, como Jovane Cabral e Filip Krovinovic, além de negociações de custo reduzido. Diego Caito, vindo do Goiás, e Wallace, contratado junto ao CRB, custaram R$ 8 milhões, somados.
Ao mesmo tempo, o clube promoveu uma reformulação no elenco. Atletas com salários elevados tiveram o vínculo rescindido, como Cuéllar e Willian. Arthur não renovou contrato justamente pela pedida salarial. Entre rescisões, vendas e rescisões, 25 atletas saíram em relação à temporada anterior.
Conforme a direção gremista, as medidas começaram a apresentar reflexos financeiros. O déficit do segundo trimestre foi de R$ 33 milhões, queda de 73% em comparação aos R$ 124 milhões registrados no primeiro trimestre. A folha salarial foi reduzida em 18%, enquanto a chamada receita do desporto, que engloba vendas, entre outros itens, cresceu 54,8%.
Patrocínio máster vira termômetro financeiro
A busca por novas receitas também faz parte do cenário dos dois clubes. No Grêmio, o principal espaço da camisa segue sem patrocinador desde o fim do Brasileirão de 2025. A diretoria afirma ter recusado propostas do setor de apostas por considerar os valores baixos e o segmento inseguro.
O Inter, por sua vez, encontrou soluções temporárias. O clube fechou acordos pontuais: com a Shopee para os duelos contra Corinthians (Copa do Brasil) e Palmeiras (Brasileirão), e, agora, com a SpeedMax para os próximos três jogos, em mais uma tentativa de ampliar receitas em meio ao processo de reorganização financeira.
Transfer bans ampliam preocupações
Os problemas financeiros recentes também chegaram aos tribunais esportivos. Nesta semana, o Inter sofreu transfer ban da Fifa e está impedido de registrar jogadores por três janelas ou até quitar o débito.
A punição decorreu da dívida dos gaúchos com o Midtjylland, da Dinamarca, pela compra do zagueiro Juninho. Porém, o clube já enfrentava cobranças de terceiros e disputas relacionadas a débitos acumulados.
Entre outros casos, estão a decisão judicial que determinou o bloqueio de R$ 11,5 milhões de contas do clube por dívida ligada ao empresário Delcir Sonda, e a cobrança de uma dívida de compra do volante Benjamin, com o Dansoman Wise, de Gana.
No Grêmio, a situação é diferente, mas igualmente preocupante. O clube sofreu um transfer ban preventivo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) por estar submetido à regra do fair play financeiro.
Na prática, a agência passa a ter que autorizar previamente as novas contratações do Tricolor. O clube, por sua vez, garante que atende aos critérios do órgão para obter a autorizações.
Às vésperas de mais um capítulo da maior rivalidade do futebol gaúcho, Inter e Grêmio chegam ao clássico pressionados não apenas pelo resultado dentro de campo. A batalha pela recuperação financeira também se tornou parte decisiva do confronto.
O Gre-Nal 453 ocorre às 20h desta quinta-feira, no Beira-Rio, válido pela ida das quartas de final da Copa do Brasil.
Fonte: ge




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