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O Jornal Folha da Club tem satisfação em contar a história do Senhor André Pelisser, que ao lado da esposa Dona Othila construiu sua trajetória de vida baseada no trabalho, acreditando sempre em um futuro melhor e persistindo quando os obstáculos pareciam maiores que suas próprias forças.
André é natural do município de Maximiliano de Almeida, de onde mudou-se para Machadinho e fixou residência na Linha São Miguel aos 26 anos de idade. Já nesse momento enfrentou um grande desafio. Ele conta que teve que desbravar a mata para limpar o terreno onde construiria sua casa. “Quando nós viemos morar aqui era tudo mato. Precisamos derrubar o mato a serrote, a machado, porque não tinha motosserra. Às vezes a gente derrubava pinheiro de metro de grossura para serrar, fazer tabuinhas para construir a casa e os galpões”, relata André.
Sobre as atividades que realizou, André cita algumas que permitiram sustentar a família e gradativamente ampliar a produção na propriedade rural: “Sempre trabalhei, com criação de abelhas, criação de porcos. Fazia vinho. Começamos cedo com o gado aí a minha mulher fabricava queijos. Tínhamos uma fabriqueta de queijos”, comenta. Hoje a propriedade é utilizada prioritariamente para a produção de gado de corte.
Seu André conta com orgulho que foi um dos primeiros moradores da Linha São Miguel a conseguir adquirir um automóvel. “Eu fui um dos primeiros a comprar carro na região. Tinha só dois carros. O primeiro foi o pai do meu sogro lá em São Miguel depois eu. Isso em 1965”, relembra.
Com o carro também surgiram situações em que lhe eram solicitados vários serviços. “Prestei muitos serviços levando gente para os hospitais, para cá e para lá. Arrumei bastante compadres, uns 30, 40. Quando casava alguém nós éramos testemunhas para levar os noivos”, conta André com bom humor.
Ao falar sobre passagens em que levou pessoas para obter atendimento médico André se emociona quando lembra o dia em que transportou seu professor até o hospital, porém mesmo com o seu esforço não conseguiu sobreviver. Isso aconteceu ainda quando morava em Maximiliano de Almeida e não dispunha de carro. O transporte foi feito a cavalo. “Um rapaz de 22 anos, um baita professor! Levei ele a cavalo. Quando foi no outro dia ele morreu com pneumonia dupla. Era meu professor”, conta emocionado. As lágrimas correm dos olhos de Seu André novamente quando relata a morte de um cunhado que foi também transportado por ele em busca de atendimento médico. Uma carroça e um caminhão serviram como meio de transporte para o cunhado que não resistiu e perdeu a luta pela vida.
A vida de Seu André também foi marcada pela participação ativa na comunidade com prestação de serviços, desde hospedagem a professores que lecionavam na escola da Comunidade de São Miguel até atuação como capataz nos trabalhos de funcionários da prefeitura na abertura de acessos do interior. “Eu prestei muito serviço aqui na comunidade. Dei pensão para professores durante 15 anos. Professores e professoras ‘paravam’ comigo”, conta. A hospedagem rendeu a Seu André e Dona Othila duas comadres. “Duas professoras ficaram minhas comadres. Elas ficaram aqui três anos cada uma”, diz. Sobre o auxílio na construção e conserto dos acessos da comunidade André diz: “Nos primeiros anos as máquinas vinham arrumar as estradas e os operadores ‘paravam’ fora, eles vinham se hospedar aqui. Eu era capataz para cuidar a turma”, relata. De acordo com André, o trabalho era voluntário e os membros das comunidades do interior se revezavam no auxílio ao trabalho nas estradas.
Já no desenvolvimento de funções de liderança comunitária, André comenta que foi presidente da comunidade de São Miguel por diversas vezes, inclusive no período em que foi construído o salão, uma das maiores referências para a comunidade. André também hospedava os trabalhadores responsáveis pela condução da obra.
Outra função exercida por André foi fazer parte da diretoria do STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) de Machadinho. Ele compunha o quadro de diretores quando foi adquirido o prédio que serve como sede para a entidade até os dias atuais.
A história política de Machadinho tem o nome de Seu André escrito em uma de suas páginas. Ele foi candidato a vereador em eleição na década de 1960. O machadinhense não sabe precisar o ano em que concorreu nas eleições.
Ainda no início desta matéria, mencionamos dois verbos os quais são conjugados com muita propriedade por Seu André, são eles: acreditar e persistir. Certamente eles tiveram que ser praticados em diversos momentos de sua vida, porém em duas situações isso foi mais exigido. O machadinhense foi submetido a duas cirurgias no coração. Segundo André, na primeira cirurgia os médicos lhe deram uma expectativa de 12 anos de vida. “Faz 19 anos que eu fui operado e estou aqui”, fala. Na segunda cirurgia a situação foi ainda mais complicada. Foram 56 dias internado no hospital em Passo Fundo. “Os médicos chamaram a família. Diziam que não adiantava, mas Deus me deu uma mão”, comenta André. “Eu fiz uma certa amizade com toda a equipe do hospital. Por último eles diziam que eu não era mais paciente, que eu era irmão”, relembra André ao falar sobre o período que permaneceu em recuperação internado no hospital.
São muitas as histórias, porém certamente representam uma pequena parcela de tudo o que Seu André tem para contar sobre sua trajetória de 85 anos que construiu em boa parte ao lado de sua esposa Othila, com quem é casado desde 1953. O casal teve 11 filhos que por sua vez já lhes deram 14 netos e 3 bisnetos.
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