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O machadinhense Angelin Primieri, hoje com 84 anos de idade, percorreu seu caminho buscando alternativas de negócios viáveis. Trabalhando e acreditando nas possibilidades do mercado, Angelin desenvolveu várias atividades, sempre transformando matéria-prima em produtos com valor agregado.
Sua primeira atividade na indústria foi em um moinho, onde fabricava farinha de milho e descascava arroz. Isso ainda com 19 anos de idade, logo após retornar do exército. E por falar em serviço militar, vale o destaque às funções exercidas por Angelin enquanto servia ao Exército Brasileiro na cidade de Santiago, RS. “Eu era o chefe da mecânica, não tinha ninguém que entendia e eu era meio ‘metido’ em mecânica, essas coisas. Eu poderia ter ido embora com doze meses, mas me pagaram um salário bom e me seguraram mais um mês até chegar alguém para assumir a minha função. Eu fiquei treze meses no quartel”, relembra Angelin.
Falando sobre a indústria de arroz, Angelin lembra de um dos melhores anos vividos na atividade. Mesmo sem saber precisar a data em que isso aconteceu, o machadinhense conta que ganhou muito dinheiro com o arroz na oportunidade. “Teve um ano em que eu não fiz mais dinheiro com o arroz porque não tinha mais onde colocar. Eu comprei até que tinha lugar para colocar”, comenta. De acordo como próprio Angelin, naquele ano comprou aproximadamente 4 mil sacas de arroz de produtores da região. Pelos seus cálculos, o lucro gerado com o processamento do produto era de mais de 100%. “Um saco de arroz custava, fazendo uma comparação com os valores de hoje, mais ou menos R$ 3,50 e precisava de dois sacos de arroz com casca para fazer um saco de arroz de primeira descascado. Eu vendia um saco de arroz sem casca por R$ 17,50”, comenta.
O moinho foi a atividade principal de Angelin até meados da década de 60 quando iniciou a fabricação de farinha de mandioca. Com uma memória invejável, Angelin conta como era o processo de fabricação passo a passo. “Eu tinha balança para pesar a mandioca que chegava com os caminhões; tinha o lavador; tinha o cilindro. A mandioca entrava na ponta lá e vinha; caía na esteira; subia na máquina para moer; saia a massa embaixo e vinha para a prensa; prensava a massa para tirar a água; entrava nos fornos – tinha um caracol comprido e dois fornos que estão lá colocados até hoje; a farinha saia lá no elevador; subia lá em cima; passava no classificador; fazia a volta e saiam os pacotes prontinhos. Ficava um lá na ponta para fazer os fardos com 25 pacotes de farinha em cada um”, detalha.
“Eu fazia na base de 11, 12, até 13 mil sacas de farinha por safra”, comenta Angelin. A produção média diária era de aproximadamente 30 sacas. Pelo fato de a indústria ser moderna e quase 100% mecanizada, duas pessoas davam conta de todas as tarefas. “Dois bem bons faziam o serviço”, diz Angelin.
Assim como quando trabalhava com o processamento de arroz, Angelin também adquiria mandioca de produtores de toda a região, tanto de municípios do Rio Grande do Sul como de Santa Catarina. “Eu comprava em Concórdia, até em Lagoa Vermelha, no Barracão, lá em Sobradinho eu ia buscar mandioca. Eu tinha os pacotes com o telefone, eles (produtores) iam ao mercado comprar a farinha de mandioca, enxergavam o telefone e me ligavam, eu comprava por telefone”, comenta Angelin.
O processamento de mandioca era um bom negócio, de acordo com Angelin. Apesar disso, a atividade tornou-se inviável pela falta de matéria-prima. “Parei de fazer porque ninguém mais plantava mandioca”, afirma. “Era um baita negócio! Se eu fizesse farinha de mandioca hoje, com o preço que está…”, comenta Angelin, deixando subentendido que hoje poderia lucrar bastante com a atividade se ainda estivesse fabricando o produto.
Depois da fábrica de farinha de mandioca, o empreendimento implementado por Angelin foi uma olaria de tijolos. “Quando eu parei com a fábrica de mandioca comprei um maquinário para fazer tijolos”, afirma. Também nesta atividade, o machadinhense comercializava produtos com diversos municípios da região. “Eu levava para Passo Fundo, para lagoa Vermelha; até para Santa Catarina eu levava tijolos”, comenta Angelin.
A indústria de tijolos ainda está em funcionamento, porém, a falta de mão de obra fez com que a produção diminuísse muito. “Eu estou meio parado por que não se encontra mais ninguém que queira trabalhar. Estou fazendo tijolos praticamente sozinho”, diz Angelin. Nos momentos em que a produção na olaria atingiu o pico chegaram a ser produzidos 12 mil tijolos diariamente.
Além destas atividades acima citadas, Angelin também teve um estabelecimento comercial onde vendia desde tecidos até ferramentas e itens de supermercado. “Tinha de tudo, ferramentas, de tudo”, comenta. O comércio era estabelecido na Linha Polo, interior de Machadinho.
Diversas atividades foram exercidas por Angelin, porém sempre com o apoio da esposa Ema, com quem é casado há 63 anos. Ao lado de sua companheira, constituiu uma família numerosa composta pelo casal, oito filhos, dezoito netos e dez bisnetos.
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