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Com um verso bem feito Antônio Klein conquistou sua amada, com quem é casado há mais de 60 anos

A história é longa, são mais de sessenta anos de parceria em um casamento baseado no diálogo e companheirismo, porém o inicio de tudo foi com um verso curto e certeiro de Antônio Klein, que acertou em cheio o coração de Dona Graciosa.
Em entrevista ao Jornal Folha da Club, Seu Antônio relatou, com invejável memória, o verso dito à então pretendida namorada em um baile de rancho. “Eu cantei um verso pra ela assim: pela primeira vez que eu te vi fiquei te querendo bem; eu não te tiro do sentido e nem te troco por ninguém”, contou. Antônio também lembrou do verso que ouviu de Graciosa, que segundo ele, já retribuía o sentimento por ele aumentado. “Ela disse assim para mim: Mandei por o teu retrato num quadro de ouro fino; pra mim não casar contigo, só se não for o meu destino”, disse. Segundo ele, depois da resposta de Graciosa a confiança no futuro namoro foi total. “Aí eu disse: ‘tá morta a lebre’”, disse ele.
Com uma simpatia ímpar, Antônio também desenvolveu ações de ajuda ao próximo. Além de benzedor, Antônio também foi, durante muito tempo, parteiro. Muitas crianças vieram ao mundo pelas mãos de Antônio.
Como exemplo de benzimento feito por ele, foi lembrada uma situação em que um rapaz o procurou depois de ter buscado muitos recursos médico-hospitalares e só depois de ter recebido os cuidados de Antônio conseguiu a buscada cura. “O rapaz tinha um começo de depressão. Daí aparece dor, aparece um monte de coisa na pessoa. A mãe dele já veio me avisar que ele está bem bom”, contou.
Segundo Antônio, o interesse por aprender os benzimentos surgiu da necessidade e das situações vividas. “A minha filha mais velha criou um berne na boca. Fomos atrás de uma benzedeira, ela benzeu e o berne caiu. Ali eu comecei a acreditar em benzimento”, relatou. “Eu comecei porque a gente ocupava benzedor também”, acrescentou.
O próprio Antônio foi prova do poder do benzimento; sofreu por vários anos com o nervo ciático. “Eu mesmo tenho uma história para contar sobre benzimento. Eu sofri do ciático em uma perna durante quatro anos. Eu gritei quatro anos; era horrível a dor. Não teve médico que eu não fui, não teve simpatia que me dissessem que era bom que eu não fiz. De repente um compadre meu descobriu um benzedor lá em Ouro, Santa Catarina. Era um ferreiro velho que tinha oitenta e quatro anos. Fiz três viagens lá e fiquei bom; hoje eu faço coisas espantosas. Nunca , mais doeu essa minha perna”, relatou.
Sobre os partos que ajudou a fazer durante a vida, um deles marcou de forma muito especial. Grávida de gêmeos, uma vizinha que estava em casa somente com os filhos, não estava conseguindo dar a luz às crianças. Antônio atendeu o chamado feito pelos filhos da que estavam acompanhando a grávida. “Eu fui; peguei meus remédios e fui; eu tinha meus materiais sempre muito caprichados; tesoura desinfetadas para cortar o umbigo das crianças”, contou. “Quando cheguei lá, conversei com Jesus e ele e orientou sobre o que eu tinha que fazer”, relembrou.
Antes do parto, Antônio não sabia que eram gêmeas as crianças que ele estava prestes a trazer ao mundo. Somente depois de ter nascido o primeiro de um casal é que foi perceber que havia ainda mais uma criança para nascer. De acordo com ele, o primeiro bebê estava em estado difícil de saúde, porém com suas intervenções conseguiu sobreviver. O cenário era ainda mais preocupante com o segundo nascimento. “Foi só milagre de Deus. Demorou minutos e minutos para ele poder abrir o olhinho. Esse foi um milagre muito grande”, testemunhou Antônio.
Sobre a sensação de poder trazer uma criança ao mundo, Antônio identifica da seguinte maneira: “É emocionante. Eu me sinto muito feliz. Tem dias que eu me pego pensando; parece uma mentira tudo o que se passou em minha vida”.
Uma das principais características identificadas, tanto em Seu Antônio quanto em Dona Graciosa é a ligação intensa com a família. Tanto que uma das principais preocupações que o casal teve ao longo da vida foi quando tiveram que deixar a “querência amada” na Linha Coqueiro no momento em que a barragem foi construída e o lago atingiu as propriedades da família.
A principal preocupação foi em adquirir terrenos para os filhos próximo de onde eles iriam permanecer morando, e isso aconteceu. A filha que mora mais longe deles, está residindo a oito quilômetros de distância.
Para Antônio a construção da usina foi positiva para os atingidos que souberam aproveitar o dinheiro pago pela MAESA pelos terrenos alagados. “A minha família foi toda colocada pela barragem, os oito filhos. Foi só segurar as pontas porque a MAESA ainda deu nove meses de alimento para quem foi atingido”, contou.
De acordo com o próprio Antônio, a vida do casal sempre foi levada na base da compreensão e sempre houve diálogo acima de tudo. E uma das coisas que não deixou de estar presente nos costumes do casal foi a participação em bailes. Dançar é uma das práticas preferidas do casal. “Nunca deixamos de ir nos bailes”, contou Antônio.
Quando perguntado sobre algo que gostaria de deixar registrado, Antônio não tem dúvida em afirmar: “Isso eu quero deixar registrado: se ajudar pobre fizesse falta, eu e minha esposa não tínhamos nada. Sempre a beira do meu terreno morou gente pobre e nós sempre ajudamos”, contou.

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