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Comunidade Linha Tessaro comemora 60 anos de fundação no próximo mês de maio

Conheça um pouco dessa bonita história pelo relato de Vilson Tessaro, um dos fundadores

De uma dificuldade surgiu uma das mais tradicionais comunidades do interior de Machadinho. Há quase 60 anos alguns moradores se reuniram, tiveram a ideia de construir uma capela devido à distância até Bela Vista, referência para os machadinhenses do local até então, conversaram com o Pare Teófilo, e depois da aprovação do Pároco, fundaram a comunidade da Linha Tessaro, que no próximo mês de maio completa sessenta anos. Um dos fundadores, Vilson Tessaro, conta um pouco dessa história aos leitores do Jornal Folha da Club.
“A gente pertencia à Comunidade da Bela Vista, era bastante dificultoso porque na época, para comungarmos tinha que estar em jejum e a gente tinha que fazer cinco quilômetros às seis horas da manhã para chegar até a comunidade onde o Padre Teófilo ia rezar a missa. Haja vista essa situação, meu pai, meu tio e os amigos deles, em um belo dia, conversaram com o Padre Teófilo – um grande vigário que nós tivemos – e ele permitiu que fosse criada uma capela ali no nosso lugar”, conta Vilson, que ainda lembra os nomes dos principais idealizadores da ação. Foram eles: Pedro Camuzatto, Alziro Emerich, Neri Rocha, Francisco Schenatto (popular Queco).
Depois de terem obtido a autorização de Frei Teófilo, a tarefa foi realizar a limpeza do local onde seria construída a capela. “Meu pai disse: ‘meu filho, pega uma foice e vamos lá ajudar o pai que vamos fazer uma limpeza para construir uma igrejinha.’ E foi assim que aconteceu. Eu era uma criança, mais observei, mas também dei umas foiçadas lá”, relembra.

Vilson também conta o motivo pelo qual Nossa Senhora de Fátima foi escolhida como padroeira da counidade. “O Senhor Oralino Beribio tinha feito uma promessa e daí deu a imagem, e o Armando Tessaro doou para a comunidade. Ela se perpetuou há sessenta anos atrás, está até hoje como padroeira da nossa comunidade”, detalha.
Em determinado momento a comunidade chegou a contar com mais de 70 famílias associadas, época em que o município de Machadinho, de acordo com Vilson, contava com uma população de aproximadamente 18 mil habitantes. “Depois houve uma situação contrária, as pessoas começaram a ir embora, a terra já não dava mais resultado e ficaram menos pessoas, mas a comunidade continuou forte”, ressalta Vilson.
Uma das principais lembranças vivas na memória de Vilson era o sentido de cooperação cultivado pelos moradores da comunidade. “A gente vivia numa cooperativa informal, porque tudo passava por uma cooperação de um vizinho com o outro, isso era em troca de sementes, em troca de carne, em troca de serviço. Tudo isso era uma coisa tão bonita, tão maravilhosa que as pessoas faziam e que hoje se perdeu no tempo”, relata.
Depois de aproximadamente 10 anos de fundação da comunidade, surgiu uma das ideias mais marcantes ao longo dessa trajetória – a criação de um time de futebol. Naquele momento era criado o vitorioso Flamengo, detentor de grandiosas conquistas no futebol machadinhense e regional. “A ideia foi de comprar uma bola para podermos jogar futebol, que a gente gostava muito e não tínhamos oportunidade”, declara Vilson. Na época havia um time montado na região, porém não era dada oportunidade aos jovens para praticar o esporte.

O campo de futebol foi montado na propriedade do pai de Vilson, seu Setembrino, que depois de ouvir sobre a intenção dos jovens prontamente cedeu o local. “Meu pai disse: ‘tranquilo, podem limpar aí. A gente reuniu uma turma de uns vinte, limpamos o local, fomos no mato, cortamos os pinheirinhos, montamos as traves e fomos jogar lá”, relembra. A partir daí o time começou ganhar a simpatia dos moradores do local, gerando força e promovendo o crescimento do clube.
O primeiro jogo realizado pelo Clube Flamengo foi contra o Aliança de Bela Vista, que acabou empatado em 1 X 1. “O primeiro gol do Flamengo foi marcado por Antônio Camuzatto, filho de um fundador da comunidade”, relata Vilson. O primeiro torneio do qual o time participou foi na Linha Santa Terezinha, no ano de 1967. O resultado não poderia ter sido melhor, o time conquistou o primeiro lugar do torneio e levou para casa como prêmio, uma imagem de Santa Luzia. “Foi o primeiro de tantos e tantos que o Flamengo ganhou”, conta Vilson. A mesma Santa já havia assumido participação na história da comunidade quando Seu Setembrino doou uma imagem para ser colocada na Igreja. “Meu pai enxergava só com uma vista, e antes de nós ganharmos aquele troféu ele deu para a comunidade essa imagem. Foi uma coincidência ou um presságio”, analisa.

Depois de algumas participações em torneios e demais eventos esportivos da região, a organização do clube começou se fortalecer. O primeiro ato foi escolher o presidente do Clube, Setembrino Tessaro, tendo como secretário o professor Orlando Miola. Montada a diretoria, o passo seguinte foi registrar o clube em cartório. A definição aconteceu em uma grande reunião, quando também foi definido o nome que seguiria com o clube até os dias atuais. A sugestão do nome foi dada por Raul Tessaro. O registro aconteceu aproximadamente 5 anos depois da fundação.
Um dos principais líderes do time era Silvino Menon, que inclusive era técnico do clube e foi personagem de uma das passagens mais marcantes dessa história. “O Silvino disse para nós que se cortássemos de focinha os dois sacos de trigo que ele tinha lá levaria nós lá jogar com o Só Cem, que era o time de Machadinho naquela época, era lá onde tem a garagem agora. Fomos lá de manhã e quando eram umas dez horas tínhamos cortado tudo, fomos nuns trinta. Daí fomos jogar lá e o resultado foi que ganhamos de três a um. Quando terminou o jogo o Nogueira (líder do Só 100) chamou o Menon e disse: ‘cuide bem dessa gurizada que vocês têm um baita de um time aí”, revela Vilson. Na oportunidade, o time do Flamengo ainda não tinha sequer um jogo de camisas para entrar em campo. A surpresa foi que Nogueira anunciou a intenção de parar as atividades do famoso Só 100, assim como doou todos os materiais ao clube da Linha Tessaro. Ele deu as redes, o jogo de camisas com meia, calção e tudo. “Nossa, foi uma alegria, fomos comemorando até em casa”, relembra.
Outra história envolvendo Silvino Menon foi a sequência do comando do time, passado para Vilson Tessaro depois de o antigo comandante ter passado a residir na cidade de Machadinho. O próprio Vilson conta que o time contava com jogadores com mais qualidade técnica do que ele, e para não frustrar o jovem atleta, Silvino dizia que precisava de Vilson ao lado dele no banco, para sugerir alterações táticas no time. “O que aconteceu? Ele me segurava no banco e eu começava me sentir importante, começava dar sugestões, falar, me soltar. Resultado: ele veio morar para a cidade e me disse: ‘Vilson, você agora é o treinador’”, conta.
Entre as conquistas mais importantes do clube sob o comando de Vilson estão: sete campeonatos municipais, uma copa dos campeões municipais; dois vice-campeonatos regionais e inúmeros torneios disputados na região. O comando do time foi passado para Oscar Taufer no ano de 1996.
Voltando a comentar sobre a trajetória da comunidade Tessaro, seu Vilson salienta uma das principais satisfações por ter participado dela. “O que mais me enche de satisfação é saber que centenas de jovens que se criaram e vivenciaram aquela comunidade foram abençoados, ouviram o que os pais falaram para eles. E a gente sabe que todas essas pessoas deram gente do bem. Tenho orgulho de ter vivenciado essa história e ter participado de alguma forma”, ressalta.

Ao analisar o esforço de cada um dos membros da comunidade para que a trajetória fosse percorrida, Vilson cita de forma especial a família Taufer, pela grande colaboração dada continuamente ao longo do tempo. “Eu gostaria de salientar aqui, entre tantos que colaboraram, a família Taufer, porque até hoje eles ainda são os baluartes que tocam para frente, principalmente o Oscar Taufer, que é um cara que a gente tem profunda admiração”, ressalta.
Também merece destaque na análise de Vilson a contribuição de “um anjo na terra”, como é definida Hortência Rodrigues dos Passos. “Ela era a cegonha da época, a parteira. Não têm uma família da região de Bela Vista que ela não participou dos partos. E nunca cobrou nenhum centavo de ninguém, pobrezinha. Na época o transporte era feito por carreiros, não era estrada. Ia de noite com uma capa de chuva, montada a cavalo. Ela ia, de noite ou de dia, no inverno ou no verão. Era uma abençoada que infelizmente não teve reconhecimento, mas para mim é uma pessoa que é um anjo”, ressalta.
“Sem dúvida nenhuma nós temos que comemorar sim esses aniversários, de cinquenta anos do time e sessenta anos da comunidade, feita com muito amor e muito companheirismo. Eu destaco a fé que essas pessoas tiveram, sempre acreditando no poder maior e que tudo é possível, e tudo sempre feito com muito companheirismo”, conclui Vilson.

A festa comemorativa aos sessenta anos da comunidade está marcada para o dia 12 de maio, para a qual estão convidados todos os fundadores e seus descendentes, assim como os jogadores ou ex-jogadores que fazem parte da história do Esporte Clube Flamengo.

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