
Preencha os campos abaixo para submeter seu pedido de música:

O casal Carpes, formado por Manoel Darci Carpes, popular Maneco, e Juraci Nepomuceno Carpes, deixou muitas marcas no município ao longo de sua trajetória. Sempre atuando junto à comunidade, a vida lhes deu oportunidades de deixar um legado positivo, tanto na construção da própria família quanto na colaboração com a formação da sociedade machadinhnese.
Se analisadas as ações, o casal se coloca como os mais genuínos machadinhenses, porém não são naturais do município. O trabalho os trouxe até a terra do balneário e as relações afetivas e de amizade fizeram com que criassem raízes e se fixassem em Machadinho.
Manoel nasceu em Lagoa Vermelha e Juraci em Caseiros, onde realizaram o matrimônio no ano de 1960. A primeira morada do casal foi em Lagoa Vermelha, onde Juraci lecionava e Manoel trabalhava em uma fábrica de camas.
A forma de contratação dos professores naquela época fez com que Juraci optasse por mudar-se para Machadinho. “Naquela época os contratos se extinguiam no final do ano, então a gente tinha que renovar em março. Antes de renovar a primeira vez eles me transferiram, me deram dois municípios para escolher e eu escolhi Machadinho”, revela Juraci. “O motivo de eu ter escolhido foi que eu tinha colegas de internato aqui. Tinha a Salete Meassi, que era colega de internato, e também tinha o Idamir de Oliveira, que não está mais aqui, que também tinha sido meu colega de internato”, relata.
A mudança para Machadinho aconteceu no ano de 1962, e não foi um passo fácil para o casal. Em um primeiro momento moraram de aluguel, já que não tinham sequer os móveis no momento da mudança. Tanto a casa de aluguel quanto o primeiro emprego de Maneco foram conseguidos com o auxílio dos amigos que já moravam em Machadinho. “Nós fomos morar numa casa alugada, mas quem nos ajudou a arrumar a casa e inclusive o emprego pra ele (Maneco) foram essas colegas”, conta Juraci.
O emprego a que se referiu Juraci no qual trabalhou inicialmente seu marido foi em uma serraria, de propriedade do prefeito do município naquele momento, que também era irmão da ex-colega de Juraci. “Eu trabalhei aqui na serraria do Alcides Amadeu Meassi, que era prefeito na época”, conta Maneco. De acordo com o próprio Maneco, Alcides vendeu a serraria, porém ele permaneceu trabalhando lá por mais um ano.
Depois disso, Maneco prestou seus serviços em uma indústria de raspas de mandioca, na propriedade da família Primieri. “Depois eu fui trabalhar numa fábrica de raspas de mandioca. A raspa de mandioca era para misturar na farinha de trigo”, relata Maneco. Ali na indústria trabalhou por aproximadamente três anos.
A mudança de atividade aconteceu quando surgiu a oportunidade de prestar concurso para dar aula na rede municipal de ensino. “Eu fiz um concurso para ser professor municipal, aí eu fui trabalhar na escola da Linha Tessaro. Trabalhei um ano ali”, comenta.
Até aquele momento várias atividades tinham feito parte da vida de Maneco, porém o emprego que ocuparia a maior parte de sua vida profissional seria como colaborador do Banco do Estado, o Banrisul. “Surgiu uma oportunidade e eu entrei no banco do estado. Trabalhei vinte e sete anos no Banrisul; me aposentei em noventa e quatro”, comenta. Trabalhar em uma agência bancária naquela época, de acordo com Maneco, era diferente do que é nos dias atuais. “Na época nós íamos trabalhar na rua; quitava carnês, quitava duplicatas. Fazia isso no meio da rua, trabalhava numa peça na Prefeitura e quando o pessoal não ia lá visitar, a gente ia em busca. A gente trazia o dinheiro em uma pasta preta, vinha cheio de dinheiro, de cheque…”, conta. Esse trabalho era desempenhado em vários municípios da região.
Com a aposentadoria, Maneco resolveu investir em uma propriedade no interior do município. “Com o dinheiro que me sobrou da aposentadoria eu comprei uma terrinha que tenho até hoje na Linha Café. Eu faço de tudo lá, crio o meu gadinho…”, relata.
Quando fala sobre as marcas que o casal deixou no município de Machadinho, Juraci cita com satisfação a sugestão que deu para que fosse alterado o nome da principal avenida do município. O ato foi realizado enquanto exercia a função de vereadora junto ao legislativo municipal, entre os anos de 1997 e 2000. “Entre os projetos que a gente apresentava, muita coisa se realizava, outras não, porque é assim que acontece até hoje, mas o que mais marcou foi a homenagem que eu fiz ao Frei Teófilo, que recém tinha falecido. Eu entrei com um Projeto de Lei pedindo a mudança do nome da Avenida Presidente Kenedy para Avenida Frei Teófilo ”, conta Juraci. “É da minha autoria esse projeto”, enfatiza. Já Maneco exerceu a função de vereador na gestão que iniciou no ano de 1982. Na sequência também foi suplente do mesmo cargo.
Ainda na atuação junto à política, defendendo os interesses da comunidade machadinhense, o casal buscou incansavelmente a construção do asfalto que liga o município a Maximiliano de Almeida. “Nós fomos, durante muitos anos, delegados do Orçamento Participativo; nós viajávamos de ônibus pela região toda, na luta pela construção do asfalto que liga Machadinho a Maximiliano de Almeida”, comenta Juraci.
Enquanto atuava como professora, e também como diretora da Escola Madre Maria Rosane, Juraci foi responsável pela realização do 1º Festival do Chopp Preto. “Naquela época nós criamos aqui em Machadinho, o Primeiro Festival do Chopp Preto. Era em benefício da escola porque naquela época não vinha merenda escolar suficiente para os alunos e nós tínhamos que complementar”, relembra Juraci. A iniciativa se tornou realidade também em função de que Maneco era presidente do Clube União e auxiliou com o local para a realização do evento.
O Clube União é um dos pontos que mais reaviva os bons sentimentos que Maneco guarda em seu coração. Ali viveu bons momentos, tanto praticando esportes com seus amigos quanto na ousada iniciativa de construir um local apropriado para a reunião de pessoas e a prática do futebol de salão. Em ações coordenadas entre os interessados na construção e representantes do poder público municipal e a Igreja, tornou-se possível a construção do local onde hoje é realizado um dos maiores campeonatos de futsal da região, o Clube União.
“Também criamos o primeiro Baile de Debutantes de Machadinho”, revela Juraci. De acordo com a professora, o baile foi realizado durante alguns anos no município.
Ao falar de momentos em que a vida trouxe dificuldades, o casal lembra-se de quando Juraci procurou um curso de graduação em Caxias do Sul. “Deixava as minhas crianças em casa. Os filhos precisavam tanto de mim e eu deixava só com uma menina que cuidava ou com uma mana minha que também vinha cuidar deles”, relata a professora. Depois dessa etapa na vida, Juraci ainda cursou outra faculdade, em busca de uma pedagogia plena. “Eu achei que devia fazer uma pedagogia plena; mais quatro anos lá em Ijuí. Lá eu não dormia direito às vezes. Deixava as crianças sozinhas, no inverno; ficava quarenta dias sem vir pra casa. Aquela época foi muito difícil”, comenta.
Em contraponto aos momentos difíceis apresentados pela vida, o casal recebeu como recompensa uma família que representa a “coroação” da trajetória. São quatro filhos, sendo destes: três biológicos e um “do coração” e sete netos.
“Nós coroamos a nossa vida no dia vinte e nove de outubro de dois mil e onze quando comemoramos com uma festa, os nossos cinquenta anos de casados. Foi muito bom passar esse momento com os filhos e com os amigos”, conta Juraci ao falar de um momento que marcou a importância da construção da família ao longo de décadas.
Deixe uma resposta