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Criar sua família não foi nada fácil, porém ao olhar para trás Dona Cecília Vanin Miola vislumbra uma trajetória de realizações. Hoje os seis filhos estão com as vidas constituídas e trazem muita alegria nos momentos em que se reúnem em algumas oportunidades.
O início da vida de Cecília foi no interior do município de Machadinho, na Linha Pinheiro Grosso, onde teve seus seis filhos. Uma dívida bancária de terceiro, para quem o falecido marido de Cecília, seu João Miola, havia assinado de avalista forçou a família a vender o terreno rural e adquirir um espaço na cidade. “O meu pai era avalista e teve que vender para pagar a dívida dos outros. Como o cara não pagou a dívida meu pai se obrigou a pagar”, declara Luiz Euri Miola, filho de Cecília.
Pouco depois de efetuar o pagamento da dívida e adquirir o terreno na cidade o pai de Luiz faleceu vítima de uma embolia pulmonar. “Quando ele pagou as contas, que ele chegou em casa e disse que terminou de pagar as contas acho que durou só mais uns três meses e faleceu”, relata Luiz.
Sobre o tempo em que trabalhava na agricultura, Cecília relata a dificuldade para buscar o sustento da família. “No tempo da agricultura, se tudo corria bem estava bom, mas se dava seca ficava difícil, dava muita seca naquela época. Se colhia pouco. Foi bastante sofrido”, rerelembra. Falando sobre a forma como se trabalhava com a terra, Cecília relembra a limitação nos equipamentos que se dispunha. “Era tudo a mão: arado com boi e carroça. Não tinha outra coisa”, conta.
“Naquela época era milho, mandioquinha e mandioca brava. A mandioquinha era pra comer pra tratar os bichos e a mandioca brava para vender para as tafonas; a mandioca brava não se dava para a criação porque ela matava os bichos”, comenta Cecília. “Tinha um monte de tafonas que faziam farinha de mandioca por ali. Tinha um vizinho que comprava a mandioca para fazer a farinha, mas não valia muita coisa, era troquinho”, revela.
Uma das maiores dificuldades relatadas por Cecília foi para dar proporcionar estudos aos filhos. De acordo com ela, o filho mais velho precisava caminhar todos os dias uma distância de aproximadamente sete quilômetros. “Era sofrido porque o mais velho tinha que vim na aula a pé, porque tinha só até a quinta série lá na colônia. Agora é tudo diferente, passa o ônibus na porta da casa. Ele (filho) tinha que vim na chuva ou no sol, podia cair raio que tinha que vim a pé todos os dias de manhã e voltar depois de meio dia”, conta Cecília.
Luz elétrica era só um sonho quando a família morava no interior. “Era só lampião de querosene, era só o que tinha. Só depois que veio o liquinho”, comenta. A mudança para a cidade aconteceu em 1976, porém nem na nova morada havia luz elétrica instalada. “Custou também para vim a luz em casa. Até que ele requereu; demorou uns oito, nove meses para vim porque tinha que pagar para vim. Não era fácil”, relata. “Demorou para vim a luz elétrica porque tinha que fazer um projeto”, acrescenta Luiz.
Luiz também contribui contando parte da história da família quando fala sobre a forma encontrada para ter mais conforto nos banhos, especialmente no inverno. “Para tomar banho foi feito um banheirinho lá fora com aquele latão de tomar banho, porque quem tinha banheiro dentro de casa naquela época era rico. Aí tinha que esquentar a água na chaleira ou em uma panela, colocava dentro e misturava (com água fria). Tinha que economizar pra tomar banho”, diz Luiz.
De acordo com Luiz a qualidade de vida aumentou muito com a chegada da água encanada na residência da família. “A água da CORSAN até foi mais rápido para chegar, mas quem teve que fazer os valos foi o meu pai, no braço. Quando ficamos com água foi uma coisa muito boa”, relata.
Falando sobre a vida que leva hoje, Cecília manifesta a satisfação da comodidade trazida com os tempos. “Eu estou bem feliz hoje. Eu sempre digo: não é mais aquela época que a gente sofria como bicho”, comenta.
Puxando na memória, um dos momentos mais felizes lembrados por Cecília é sobre quando, mesmo com as dificuldades do trabalho e para manter a família, os familiares viviam em locais próximos. “A gente tinha momentos que era muito feliz; com toda a vizinhança, os cunhados todos perto, sogro e sogra vivos; mas depois que começou diminuir as coisas, começou se extraviar e ficou tudo diferente. Eu tava feliz com toda a minha família em casa”, revela.
O momento em que a família se reúne é um dos melhores na percepção de Cecília. “Ela (Mãe) fica muito feliz quando a gente se reúne. Quase todos os domingos a gente se reúne aqui com ela. Nós sempre fizemos o almoço aqui. A alegria dela é estar junto com a gente”, conta o filho Luiz, presente na casa da mãe no momento da entrevista.
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