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O machadinhense Evaldo Schwaab recebeu nossa equipe de reportagem em sua residência e com toda gentileza contou algumas de suas muitas histórias. Uma das mais impressionantes ocorreu no episódio em que se acidentou de carro e foi levado em estado grave para o hospital em Erechim.
“O meu carro foi para o lixo. Eu estava morto. A cabeça estava lá atrás no meio dos acentos, no chão; eu nem gritava”, relatou Evaldo sobre o momento do acidente. “Eu nem me mexia; estava preso no meio das ferragens”, detalhou.
De acordo com Evaldo, o responsável por sua melhora foi São Roque. “Eu estava com a perna toda quebrada, tem ferro hoje. A espinha estava quebrada; o médico não tinha coragem de me operar e o São Roque me operou; eu fiquei bom”, relatou.
Foram mais de vinte dias em recuperação na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para só então realizar a cirurgia em sua perna. “Eu fiquei trinta dias na UTI. Só vinte dias depois que eu estava lá me operaram a perna”, contou Evaldo. Um dos fatos que mais marcam em sua memória é o fato de que nunca via quando os profissionais da saúde lhe davam banho. De acordo com Evaldo, quando mexiam seu corpo a dor era tanta que ele desmaiava. “Me davam banho todas as noites e eu não vi nenhum banho, não vi ninguém. Eu desmaiava porque me doía muito o corpo”, disse.
O acidente aconteceu há nove anos na estrada que liga o município de Machadinho a São José do Ouro.
Outra história que Evaldo contou com bom humor é a trajetória comercial com seu mercado, instalado no Distrito de Bela Vista. “Eu fiquei doze anos com o mercado e fali três vezes”, contou. Um dos maiores obstáculos para a manutenção do negócio, segundo Evaldo, era a inadimplência dos clientes. “Eu vendia sempre uma carga de porco e colocava de novo (o mercado)”, relatou.
A ousadia também marcou a vida do machadinhense. Tanto esse sentimento faz parte das suas ações que em determinado momento se aventurou, mesmo sem jamais ter dirigido um caminhão, ir para Porto Alegre adquirir seu próprio veículo de carga e voltou para Machadinho dirigindo. “Eu nunca liguei a chave de um caminhão; fui lá em Porto Alegre, comprei um caminhão novo e vim para casa sozinho”, relatou. Conforme Evaldo, a principal dificuldade foi começar a trafegar na rodovia, depois disso a viagem ficou tranquila. “Depois que eu entrei no asfalto estava em casa; os carros que viessem atrás de mim”, disse.
“Eu tenho muita história para contar. Tem gente que não acredita”, comentou. Uma das histórias que Evaldo considera difícil de acreditar, porém conta com muita convicção, é a de que certa vez sugeriu uma aposta para sua cunhada e foi certeiro na sugestão. “Eu dei uma benção para ela ganhar na loteria. Pode jogar uns ‘troquinhos’ lá que você ganha; ganhou cento e vinte mil em menos de vinte dias”, garantiu. Com o dinheiro sua cunhada comprou um carro de luxo, uma casa para cada um dos filhos e ainda emprestou dinheiro para um irmão.
Em suas ações em favor da comunidade, a construção de um poço artesiano foi um marco e proporcionou o abastecimento de água potável para o Distrito de Bela Vista. “Eu fiz um poço artesiano; coloquei água para mais de sessenta famílias. Coloquei uma caixa, coloquei bomba e tudo o que precisava em nome da Prefeitura; três anos depois a Prefeitura me pagou”, disse. Essa foi a primeira atitude que teve em prol da comunidade onde residia. “Lá em Porto Alegre analisaram a água, porque tem que mandar analisar, e falaram para o prefeito que era a melhor água de todo o Rio Grande do Sul”, relatou.
De acordo com seus próprios relatos, também participou ativamente da construção de um pavilhão que passou a servir a comunidade da Bela Vista. “Lá em cima tem um salão de vinte por trinta e cinco, coberto com alumínio e arcos de ferro; dá pra jogar futebol de salão dentro; tem banheiros e tem ‘bodega’”, comentou. A obra foi construída quando Evaldo assumiu a presidência da comunidade.
O próprio motivo de ter buscado Machadinho para morar demonstra o senso de empreendedorismo de Evaldo. Natural de Selbach, RS, veio para Bela Vista porque percebeu a oportunidade de adquirir mais terras para trabalhar, já que os terrenos eram muito mais baratos aqui do que em sua terra natal. “Eu queria mais terra e lá em Selbach era a terra mais cara do Rio Grande do Sul. Eu vendi lá e comprei, de um hectare lá três aqui”, relatou.
A mudança para Machadinho aconteceu no ano de 1976. Desde a infância Evaldo trabalhou com a agricultura, seja no plantio ou na criação de animais.
Quando veio para a terra do balneário Evaldo já era casado e tinha com sua esposa Nair os cinco filhos, quatro homens e uma mulher. Hoje já fazem parte da família, além dos filhos, oito netos e um bisneto.
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