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Inquérito da Brigada Militar indicia 27 policiais de Alvorada em investigação sobre milícia

Inquérito da Brigada Militar indicia 27 policiais de Alvorada em investigação sobre milícia
Cinco policiais foram presos. Segundo Corregedoria da Brigada Militar, grupo integrava e mantinha organização paramilitar com o fim de praticar crimes e extorsões.
Por Jonas Campos, RBS TV

Um inquérito da Corregedoria-Geral da Brigada Militar (BM) do Rio Grande do Sul indiciou 27 policiais de Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por crimes militares. A operação investiga a formação de milícias, prática de corrupção e ligação com criminosos por membros do batalhão do município.

Cinco policiais foram presos. De acordo com a Corregedoria, eles integravam e mantiveram organização paramilitar com o fim de praticar crimes e extorsões. Com o uso de arma de fogo, extorquiam traficantes em pontos de venda de drogas.

A BM afirmou que vai iniciar os procedimentos disciplinares, que podem resultar em advertência ou expulsão dos militares da corporação. A polícia disse, em nota, “não compactuar com desvios de conduta de nenhum integrante” (leia abaixo).

Os agentes foram indiciados por delitos como formação de milícia, abandono de serviço, corrupção ativa e passiva, violação do sigilo funcional, peculato, prevaricação, crimes previstos no estatuto do desarmamento, abuso de autoridade, entre outros.

O inquérito tem quase 3 mil páginas e 15 volumes. O número de indiciados corresponde a quase um quinto do contingente do 24º Batalhão de Polícia Militar (BMP), localizado em Alvorada.

Além dos militares, o inquérito apontou possíveis crimes praticados por outras oito pessoas, cidadãos civis.

Investigação
A investigação começou para apurar o envolvimento de policiais militares do 24º BPM com a exploração de jogos de azar. Os agentes seriam responsáveis pela segurança de casas de jogos e, conforme o inquérito, forneciam armas de fogo ou eram coniventes com o porte ilegal dos equipamentos.

Entretanto, o trabalho da Corregedoria revelou que os policiais que aparecem no inquérito acabaram praticando vários atos que caracterizaram envolvimento com ações de milícia.

O relatório da investigação afirma que “o grupo formado por civis, contando com apoio de policiais militares, passou a praticar ações típicas de milícia privada, efetuando abordagens como se policiais fossem, apropriando-se de valores, entorpecentes e possivelmente armas de criminosos”.

A investigação também aponta indícios de outros crimes, como agressão de suspeitos, recrutamento de criminosos para prática de delitos e cobrança de dinheiro para não agir contra traficantes, além de consultas no sistema da Secretaria da Segurança Pública sobre ocorrências policiais e cobrança de dívidas.

Um outro fato envolve três policiais que, segundo a investigação, ficaram com R$ 813 apreendidos em um ponto de tráfico de drogas. Como mostra o documento, outros três soldados receberam R$ 500 para fazer a segurança de um terreno particular alvo de invasão.

Os PMs também ficavam com o dinheiro apreendido nas ações contra o tráfico. Em uma delas, teriam se apropriado de R$ 3,8 mil, segundo a Corregedoria. O grupo ainda se apropriava de munições do batalhão, diz o relatório.

O que também contribuiu para desvendar esses crimes foi uma troca de tiros entre PMs e uma quadrilha que, em 2019, assaltou residências na Serra do RS.

O grupo fez reféns e roubou R$ 500 mil. Um dos envolvidos no roubo era um policial militar à paisana que atirou contra os colegas de farda e foi morto. As investigações chegaram até um comparsa dele, um PM de Alvorada que também foi preso.

Nota da BM:
“O Comando-Geral da BM realizou em 13 de abril deste ano a entrega do Inquérito Policial Militar instaurado para apurar condutas irregulares de Policiais Militares lotados na cidade de Alvorada, sob subordinação do 24º BPM, denominando-a de Operação “Bem Cuidado”.

As investigações ficaram sob responsabilidade da Corregedoria-Geral, que durante seu curso desencadeou ações de cumprimentos de Mandados de Busca e Apreensões, bem como realizou a prisão de policiais militares e cidadão civil em flagrante de delito por irregularidades constatadas durante as ações de buscas e apreensões.

O caderno investigativo conta com mais de 15 volumes, totalizando 2.898 (duas mil oitocentos e noventa e oito) páginas, culminando pelo indiciamento de 27 (vinte e sete) policiais militares e possíveis crimes de 08 (oito) cidadãos civis, sendo atribuídos aos indiciados militares diversos tipos de delitos militares, tais como abandono de serviço, corrupção ativa e passiva, violação do sigilo funcional, peculato, prevaricação, crimes previstos no estatuto do desarmamento, abuso de autoridade, dentre outros.

O Comando da instituição destaca que a partir de agora, o passo é realizar a instauração dos processos disciplinares decorrentes da solução do IPM, sob o crivo da ampla defesa e contraditório, visando avaliar a conduta de cada policial militar indiciado. Ao final do processo, esses Militares Estaduais poderão sofrer desde uma advertência até a perda do cargo público por meio de exclusão. Nesse sentido, maiores detalhes dos indiciamentos não serão informados tendo em vista não causar nenhum prejuízo às partes envolvidas e que a partir de agora tais fatos serão avaliados sob o crivo do Ministério Público e Justiça Militar, por meio do processo criminal.

Por fim, o Comando da BM continua contando com a ajuda da comunidade Rio Grandense no tocante ao envio de denúncias, pois a exemplo desta Operação, outras poderão surgir através das constatações e denúncias realizadas pelos cidadãos e enviada ao Comando da Corporação. Reforça ainda, não compactuar com desvios de conduta de nenhum integrante, buscando sempre a elucidação de todos os fatos e a prestação de um serviço de excelência, com ética profissional à sociedade.”

Fonte: RBS TV

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