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Mais de um século de existência – conheça a história de Maria Perpétua Pereira

A entrevistada do Jornal Folha da Club desta semana tem uma história e tanto para contar aos nossos leitores. No próximo dia 26 de janeiro, Dona Maria Perpétua Pereira completa 106 anos de idade. E alcança a marca gozando de plena consciência e memória invejável.
Sua terra natal é Alto Bela Vista, no Estado de Santa Catarina. Por lá permaneceu pouco tempo, se mudando ao lado dos pais para a localidade de Terra Boa, em Machadinho, aos seis anos de idade. De lá saiu quando casou-se com seu falecido marido, Arvelino Venâncio Pereira.
A história sobre o casamento é curiosa. Com a resistência da mãe em permitir o namoro com seu amado, a saída encontrada foi fugir de casa ao lado do futuro companheiro, com quem formou uma família composta por 10 filhos, 18 netos e 14 bisnetos.
Antes de falarmos sobre o casamento com o falecido marido, vamos conhecer um pouco da trajetória de Maria enquanto morava com os seus pais. Conforme seu próprio relato, desde os 10 anos de idade assumiu a responsabilidade de liderar os irmãos na lida com a roça.
Quando o pai saia para trabalhar em propriedades vizinhas, Maria comandava os irmãos mais jovens em todos os serviços realizados com a terra. “Eu era mais velha, dominava os mais novos. Levava na roça, eles trabalhavam comigo. O meu pai saia trabalhar para fora e eu ficava de chefe, para tocar os pequenos na roça. Eu era a gerente da roça, era a mais velha. Levava eles na roça e fazia carpir, limpar milho, feijão. Eu era chefe para tudo e eles me obedeciam”, relembra.
O trabalho sempre foi muito pesado, como era característico da época. “Quando tinha dez anos eu já sabia lavrar. Eu trabalhava como um rapaz na roça. Era lavrar, carpir, roçar capoeirão, tudo eu ajudava o pai fazer”, declara Maria, que mesmo tendo suportado o peso das ferramentas braçais que determinavam o trabalho com a terra, preserva uma lembrança positiva daqueles momentos. “A vida era boa porque a gente plantava de tudo, tinha tudo”, analisa, admitindo que apesar das boas lembranças, hoje a vida se tornou mais confortável.
Sobre os motivos que a levaram a fugir com o falecido marido, Maria conta que sua mãe queria que ela casasse com um primo de seu amado. Porém, mesmo a contragosto da mãe, o amor falou mais alto. “A minha mãe não queria, não gostava dele. Ele era tocador de gaita, mas não gostava de sair de casa, cuidava muito dos pais dele”, conta Maria.
Além do amor, o bom senso também pesou na escolha do pretendente. “O meu tio me deu um conselho: ‘não é para você namorar aquele parente dele lá, é um vagabundo e não tem nem onde morar. E o pai dele (Arvelino) tem uma colônia e meia de terra, vocês vão viver uma vida bonita. Mas a minha mãe não queria”, relata. “Então eu fugi. Tinha dezoito anos quando casei”, acrescenta.
A partir daquele momento a vida foi conquistada a dois e a família foi criada com força, perseverança e confiança no trabalho. Quando os filhos tinham apenas oito anos de idade, já acompanhavam o pai no serviço de roçadas e derrubadas da mata que predominava na propriedade. “Quando o Bastião tinha oito anos ele levava derrubar mato, porque aqui era tudo matão. Então, ele derrubava um pedaço de mato para fazer roça”, comenta Maria sobre a forma que os filhos foram criados e educados. Quando o marido faleceu ainda restavam quatro filhos menores de idade, ficando sobre a matriarca a responsabilidade de finalizar a criação.
Mesmo com as dificuldades enfrentadas, o que mais merece satisfação na avaliação de Maria é a manutenção dos filhos no caminho do bem. “A melhor lembrança que eu tenho é que criei bem eles, na roça, trabalhando. Foram na escola e trabalhavam. Todos eles sempre me obedeceram, até quando ficaram grandes”, destaca. “Deixei todos com educação, bem criados. Todos eles são trabalhadores”, acrescenta.
A mesma satisfação se revela quando fala sobre a relação de companheirismo e respeito que sempre estabeleceu com o falecido marido. “Nós vivemos uma vida bonita. Vivemos poucos anos junto, mas nós nos dávamos muito bem. Criamos bem os nossos filhos, foram todos bem ensinados, bem educados. Todos eles foram na escola e se criaram junto com nós”, ressalta.
Uma das boas ações desenvolvidas por Maria ao longo de sua trajetória foi o cuidado que teve com o falecido sogro, que necessitou de cuidados especiais por aproximadamente 20 anos. “O meu sogro ficou viúvo e eu cuidei dele, por vinte anos. Eu cuidei dele todos esses anos”, relembra.
Um certo dia, uma atitude do falecido sogro a surpreendeu, demonstrando o reconhecimento pelo cuidado e dedicação dispensados a ele. “Ele disse: ‘comadre, manda chamar o Gusto Segala para levar nós para Machadinho. Eu quero passar a minha colônia de terra para o nome da senhora. Tudo o que eu tiver, toda a criação que eu tenho é da senhora’”, declara. “É um reconhecimento. Ele reconheceu aqueles vinte anos que cuidei dele”, conta Maria. O falecimento do sogro aconteceu quando tinha 98 anos de idade, há aproximadamente 35 anos.
Desse bom coração e afeto que teve com a família durante toda a vida, restou um carinho todo especial com a matriarca. Hoje, dois dos filhos ainda moram com ela, sendo que um, Alziro, deixou o emprego para cuidar da mãe quando o pai faleceu. Outra filha, Délica, também reside com Maria, tendo se mudado para junto da mãe quando se separou do marido. O filho Agenor mora ao lado de sua residência, com a esposa Jandira e os filhos.
A satisfação em reunir toda a família, sempre que se repete gera muita alegria e emoção na matriarca. Esse sentimento irá se repetir de forma muito especial no próximo dia 26 de novembro, quando filhos, netos e bisnetos, ao lado de seus companheiros e companheiras, se reunirão para comemorar os 106º aniversário de Dona Maria.

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