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Nem mesmo as dificuldades da vida tiraram a alegria de viver de Clementina Piloneto

As dificuldades impostas pela vida nunca foram pequenas, porém a força de vontade nunca deixou que tirassem a alegria de viver de Dona Clementina Piloneto, que criou seus filhos com dignidade, sempre buscando formar sua família revestida de união e amor.
Hoje morando em Machadinho, na Linha Encruzilhada, Clementina é natural de Maximiliano de Almeida. “Meu pai morava na cidade, não ficou muito tempo, depois foi para a colônia”, relata Clementina. A segunda morada foi na Linha São Paulo, de onde a família saiu para morar durante algum tempo na “Vila Chico Pedro”, em Capinzal, Santa Catarina. A essa altura, Clementina tinha aproximadamente oito anos de idade.
Uma das dificuldades citadas por Clementina foi o grande número de mudanças feitas ao longo dos anos, ainda enquanto morava com os pais. “O pai fez mudanças que Nossa Senhora”, comenta.
O retorno do estado vizinho foi novamente para Maximiliano de Almeida, de onde saíram para Machadinho depois de alguns anos. “O pai voltou morar em Maximiliano, depois comprou terra aqui na Encruzilhada, ficamos ali até eu casar”, relembra.
Quando casou-se com Ermínio Piloneto, a residência foi firmada na Linha Raia do Pessegueiro, até que a última mudança foi realizada novamente para a Linha Encruzilhada, onde permanece morando com o filho Gilseu, a nora Fátima e os netinhos.
Ao falar sobre a infância, as dificuldades afloram na viva memória de Clementina que não escolhia serviço, fazia o que era necessário dentro da propriedade. “Sempre tive que trabalhar para ajudar sustentar a família. Tinha que lavrar, tinha que plantar. A mãe também ajudava, mas quem lavrava as terras sempre era eu”, relembra. “Lavrava de boi, às vezes no meio do ‘cipozal’. Tinha que lavrar aqueles cipós, meu Deus do céu”, acrescenta. Para dificultar ainda mais o trabalho, os bois eram bravos e representavam perigo à jovem trabalhadora rural. “Aqueles bois eram bravos, eu ‘encangava’ a junta de bois e ia para a roça, de sol a sol”, revela.
Outro serviço que deixa lembranças em Clementina era o recolhimento do milho das lavouras. “Eu puxava milho tudo de cesto, porque era só de cesto naquela época”, diz. Os produtos cultivados na propriedade eram destinados quase que em sua totalidade para a subsistência da família, muito pouco era comercializado. “Era mais para o gasto. A gente quase não vendia porque não colhia muito”, declara. Os principais produtos cultivados eram arroz, trigo e milho.
O serviço pesava mais sobre os ombros de Clementina e sua mão porque o pai não conseguia desenvolver as principais atividades devido a uma limitação física que o impedia de fazer isso. “Ele tinha uma perna mais curta que a outra”, conta sobre a condição de seu pai.
Apesar da dureza do serviço, o principal problema causado pela lida na roça foi a impossibilidade de continuar os estudos, fator considerado importante já naquela época por Clementina. “Eu estava aprendendo bem aí o pai me tirou para trabalhar na roça. Foi triste porque eu esqueci tudo o que já tinha aprendido. O pai não podia trabalhar daí me tirou da escola para trabalhar na roça e ajudar sustentar a família”, comenta.
Depois de selar o matrimônio com seu esposo Ermínio, o trabalho continuou sendo na agricultura, porém as atenções voltaram-se para a criação dos filhos por alguns anos, até que a filha mais velha teve condições de cuidar dos menores. “Quando eu comecei ter as crianças eles não ficavam na roça, choravam. Era só o falecido (marido) que trabalhava na roça. Eu comecei trabalhar depois que a filha mais velha tinha oito anos, daí ela ficava em casa com os pequenos e eu ia para a roça”, explica Clementina. “Ela (Neiva) brigava com os pequenos para não sair e se sujar porque era ela que tinha que lavar eles”, relembra Clementina com humor sobre a tarefa desenvolvida pela filha mais velha no cuidado com os menores.
Mesmo com todas as dificuldades citadas, Clementina preserva uma invejável lucidez e alegria de viver. O passado traz lembranças muito felizes segundo ela própria. “Era um tempo alegre, não sei porque que era um tempo mais alegre do que agora, com a família, com os amigos, com tudo”, destaca.
Sobre a relação com os amigos e vizinhos, os momentos em que comemoravam o aniversário de alguém se sobressai como sinônimo de felicidade. “Quando um vizinho fazia aniversário eles iam bater um brodo; matavam as galinhas e levavam dentro de casa para limpar de noite, tudo na hora. Eu me alegro quando lembro disso porque era muito bom”, diz.
A diversão nas comunidades era basicamente voltada aos matinês, para os quais o deslocamento era feito a pé ou a cavalo. “Nós íamos nas festas com uma vizinha nossa. Ela ia de cavalo e eu, as filhas dela, e as minhas irmãs íamos a pé. A preguiça nunca era motivo para não irmos”, comenta.
Na vida social, em contribuição com a comunidade da Linha Encruzilhada, Clementina conta que sempre preservou o costume de estar presente juntamente com a família. “Nós participávamos direto na comunidade. Quando as crianças eram pequenas eu também sempre fazia ir na Igreja. Eles se criaram comigo sempre levando eles na Igreja”, relata.
Quando fala na alegria gerada pelo convívio com a família, Clementina destaca os momentos em que os filhos, netos e bisnetos se reúnem. “Eu gosto demais que eles venham tudo, nem que façam bagunça, depois a gente ajeita”, comenta com satisfação.
Da união com Seu Ermínio, que deixou fisicamente a família há 27 anos, foi gerada uma família numerosa que hoje já conta além dos oito filhos, com 17 netos e 09 bisnetos. Clementina está prestes a completar 80 anos de idade, o que acontece no próximo dia 12 de fevereiro.

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