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Oito décadas de história contadas ao Jornal Folha da Club – Aurélia Polo Pelissoni divide suas experiências com os leitores

Dona Aurélia Polo Pelissoni, no auge de seus oitenta anos de idade conta um pouco de sua história ao Jornal Folha da Club. E faz isso com muita lucidez, demonstrando ter suas lembranças muito bem preservadas.
Muito trabalho sempre pautou sua vida ao lado do falecido marido Alcides Pelissoni. E o trabalho foi sempre a forma como o casal encontrou para sustentar a família, que hoje é numerosa. Oito filhos, dezessete netos e seis bisnetos trazem alegria à Dona Aurélia. Quando fala em trabalho, Aurélia lembra especialmente da profissão do marido que sempre trabalhou na construção civil; no início da vida prestando serviços para terceiros e mais tarde trabalhando como autônomo. “A gente ganhava pouco, às vezes faltava as coisas, mas sempre fomos dando um jeitinho. Graças a Deus nunca passaram fome”, conta Aurélia.
O valor do trabalho fica explícito quando Aurélia comenta sobre a trajetória do casal, sobre as conquistas que aconteceram ao longo da vida. “Nós começamos a vida, nós dois, sem nada. O que nós temos hoje foi com o suor do nosso trabalho. Foi com o trabalho dele e o meu; sempre fomos levando a vida”, destaca.
De acordo com Aurélia, a primeira ocupação, e onde seu falecido marido aprendeu a profissão de pedreiro, foi na construção da Igreja Matriz de Machadinho. “Ele começou trabalhar de pedreiro depois que nós casamos, inclusive ele aprendeu trabalhar quando construíram a nossa igreja. Ele ajudou a levantar a igreja”, destaca.
Já Dona Aurélia sempre se dedicou aos cuidados da família e do lar, porém nunca fugiu a responsabilidade de auxiliar o marido no sustento da família. “Ele (marido) ganhava pouco então eu lavava roupa para fora; cuidava as crianças que iam para a aula e a gente ia fazendo os serviços domésticos, trabalhando um pouquinho na horta e plantando alguma coisa para ajudar, porque tudo o que a gente colhia era bem vindo”, relembra Aurélia.
Além de Machadinho, a família também residiu em outros municípios, sempre em busca do sustento. “Às vezes ele (marido) saia fora trabalhar. Trabalhou na Olaria porque aqui não tinha serviço; depois foi para Passo Fundo onde ficamos um ano e meio lá; fomos para São Marcos e ficamos mais uns dois anos lá e ele também trabalhou de pedreiro; depois voltamos para cá, ele tinha diabetes, já estava meio doente. Foi trabalhando aqui por perto e a gente foi se virando”, resume Aurélia, sobre a trajetória da família.
Ao falar sobre o início da vida de casada, Aurélia revela que morou em um galpão por algum tempo. “Nós moramos um tempo na casa do meu sogro; ele tinha um galpãozinho e nós ajeitamos lá para começarmos a nossa vida, em um galpãozinho”, diz.
De acordo com a machadinhense, a estrutura familiar sempre foi baseada na união, prezando pelo respeito entre todos. “A gente sempre se deu bem. A minha família sempre foi unida; tanto do meu lado quanto do lado do meu marido”, ressalta.
É lembrado por Aurélia também, o aspecto que tinha a cidade de Machadinho, antes de receber as construções que hoje tornam a cidade bem estruturada e compõem o cenário urbano do município. “Tinha muito poucas moradias, bastante mato. Tinha umas casinhas ali em cima onde tem o Mercado do Beto; tinha umas casinhas mais para baixo e tinha os Meassi que tinham um ‘comercinho’”, relembra. “Só tinha aquela igrejinha velha de madeira, bem antes da Igreja Matriz”, conta.
Assim como a estrutura do município não era nem perto do que é hoje, as condições de transporte também deixavam a desejar e dificultavam o acesso das pessoas, inclusive ao atendimento médico. “Naquele tempo tinha que ir ao médico em Maximiliano, e a cavalo porque não tinha outro meio. Era de cavalo ou de carroça”, comenta Aurélia.
A atuação do Frei Teófilo, muito lembrado pela maioria dos machadinhenses, também está presente na memória de Aurélia quando lembra do auxílio na prestação de socorro às pessoas que precisavam buscar atendimento médico. “O Frei Teófilo tinha um ‘jipão’ que usava para socorrer as pessoas; levava até Maximiliano para o médico com o jipe dele. Ele socorreu muita gente”, relembra.
Ao deixar uma mensagem sobre a situação de descontrole social enfrentado nos dias atuais, muitas vezes causado por problemas familiares, Aurélia enfatiza que o controle deve vir especialmente dos pais. “Eu acho que isso vem dos pais, vem da criação. No nosso tempo tínhamos que trabalhar na roça e não tinha tempo para sair e ficar fazendo besteira como acontece hoje. É muita liberdade hoje”, conclui.

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