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Percepção para os negócios marcou a vida de Bruno Stempkoski

Com muita humildade, Seu Bruno Stempkoski credita à sorte o fato de ser bem sucedido nos negócios que fez durante sua vida, porém a inteligência e a boa percepção certamente foram aspectos decisivos na arte de negociar. Com 82 anos Bruno olha para trás e percebe uma trajetória de vitórias, já que desde muito novo tomou as rédeas do comando da família e auxiliou sua mãe na criação de seus irmãos.
A agricultura foi a principal forma de trabalho de Bruno ao longo de sua vida. Nascido na linha Coqueiro, interior de Machadinho, a propriedade da família teve base na produção de suínos por muitos anos. “Eu trabalhava com porco. Depois o porco barateou e não valeu mais a pena trabalhar com isso”, conta. Apesar de a baixa no preço ter forçado o abandono da atividade Bruno lembra que obteve lucro com ela. “Eu trabalhei uns 10, 15 anos com porco, fui muito bem”, diz.
Mesmo sendo a criação de suínos a principal atividade da propriedade, a realidade era bem diferente da que é encontrada hoje pelos produtores, onde a mecanização domina o trabalho. Bruno plantava mandioca para alimentação dos animais. “Eu plantava aipim e dava pra cozinhar e tratar a ‘leitoada’. Cozinhava e dava aipim cozido para a ‘leitoada’. Eles vinham (cresciam) como fermento”, relembra. Sobre as instalações onde criava os suínos, Bruno detalha: “o chiqueiro era de madeira, feito a facão”.
Depois de abandonar a atividade suína Bruno apostou na pecuária bovina. “Quando começou a arruinar o preço do porco eu passei para o gado. Fui muito bem. Tinha dez colônias de terra”, comenta Bruno. “Trabalhei com gado até os 70 anos de idade”, diz.
Ao longo do período em que trabalhou com o gado Bruno viu muitas mudanças que propiciaram avanços na produção de carne. “Do jeito que eu ‘lutava’ era bravo, tinha um gado comum, um gado que não desenvolvia”, comenta. “Eu tinha um primo em Machadinho que ‘lutava’ com boiada e ele deixava até sete anos o boi no pasto para tirar com 500, 600 quilos. Hoje é muito mais rápido”, analisa. “O que repercute mais é a qualidade do gado”, ressalta.
Outro aspecto que melhorou muito na avaliação de Bruno é a comercialização do gado, o que também evoluiu em outras atividades. “Naquele tempo a venda era difícil. Eu mais criava e vendia os terneiros, mas algum que eu vendia tinha que levar no frigorífico em Piratuba, passar na balsa, levar puxado na corda para matar lá no frigorífico do falecido Fraida.”
Também é muito forte na lembrança de Bruno o início do período em que colocou os negócios de troca como principal fonte de renda em sua vida. Isso aconteceu no mesmo período em que iniciou a criação de gado de corte. “Eu tinha dez colônias de terra, tudo adquirido com o trabalho e com os negócios. A maioria do que eu possuí na minha vida foi com os negócios”, avalia.
Perguntado pelo repórter do Jornal Folha da Club, Alex Neuhaus, sobre o retorno obtido com os negócios e se obteve mais: bons ou maus resultados em suas trocas, Bruno responde: “Eu fui muito bem nos negócios, eu tinha sorte”, avalia. “Eu negociava muito: gado, cavalo, era de tudo. O que vinha na frente eu negociava”, declara.
Apesar de creditar bons resultados às suas iniciativas comerciais, Bruno admite que em um de seus empreendimentos não logrou êxito – foi com a tafona para produção de farinha de mandioca. “Eu cheguei a instalar uma tafona porque achava bonito e o preço da farinha era bom, mas eu fiz no lugar errado. Era tocado por um motor à gasolina”, comenta. De acordo com Bruno, o custo da gasolina inviabilizou o negócio. “Trabalhei uma safrinha. O motor pifou, me ‘desacorçoei’ e parei. Vendi a tafona e segui com o gado”, relata.
Aos setenta anos, quando parou com a produção de gado, Bruno mudou-se para a cidade de Machadinho. As terras onde trabalhou e conseguiu adquirir ao longo da vida foram doadas para os filhos. Cada um fez o que julgou correto com a parte recebida. “Agora estou morando aqui em Machadinho, fazendo algum ‘briquinho’ para viver e com algum aluguel de casa”, comenta.
Ao relembrar sua infância Bruno menciona um momento difícil – quando seu pai faleceu o deixando órfão ao lado da mãe e de quatro irmãos. “Fiquei sem pai com 12 anos, eu e mais quatro irmãos. Eles (irmãos) eram de pouco alcance nas ideias e parece que Deus ajudou que nasci, no meio deles, mais esperto. Então eu tive que tomar conta para fazer alimentos e criar eles”, comenta. “Meu pai quando faleceu só deixou uma junta de boizinhos e uma vaca”, conta. A área em que a família trabalhava era apenas reservada por direito, para obter a posse legal da terra a família teve que reivindicar junto à justiça.
Mais do que a dificuldade em enfrentar os obstáculos da vida ficou marcado em Bruno o valor do trabalho. Para ele inclusive, nos dias atuais a falta de trabalho provoca malefícios aos jovens que “se estivessem trabalhando não estariam seguindo pelo caminho das drogas” ou outras situações prejudiciais às suas vidas. “Eu, com sete anos lutei e graças a Deus, estou com 82 anos e não morri por causa de serviço”, comenta.
Na conversa com Seu Bruno, que deu subsídio de informações para a produção desta matéria fica nítido que a ousadia e o trabalho árduo são os dois principais exemplos deixados como legado para sua família e as pessoas com quem conviveu.

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