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Nereu João Grison, ao lado de sua companheira Irdete, dedicou a vida a ensinar, especialmente a ciência exata da matemática. De acordo com ele, um conhecimento mais aprofundado sobre tal ciência faz muita falta à sociedade que não percebe a forma como pode ter sua vida influenciada pela falta desse conhecimento.
Para Nereu, a dificuldade de entender a ciência da matemática é utilizada pelas classes dominantes para influenciar as camadas menos instruídas da população. “O povo não sabe fazer as contas. Se você fizer as contas e perguntar para a grande maioria eles não sabem o que é um bilhão. Eles não têm ideia da quantidade de dinheiro que é um bilhão. Só que quem tem o poder nas mãos consegue entender perfeitamente e isso é uma realidade que nós temos no Brasil”, analisa. “Por isso os meios de comunicação criaram a imagem de que a matemática é uma coisa difícil, para que ninguém entenda”, comenta Nereu, tentando demonstrar que a ciência da matemática não é algo tão difícil quanto boa parte da população imagina.
Ampliando sua visão sobre as principais demandas da sociedade brasileira, Nereu diz acreditar que todas elas passam por um só caminho. “Para salvar o Brasil só existe uma maneira: educar o povo”, ressalta.
Foram 35 anos em sala de aula instruindo gerações machadinhenses. Toda a trajetória foi percorrida no Colégio Castro Alves, tanto no início de sua vida docente, quando lecionava a disciplina de educação física, quanto na sequência da arte de ensinar, quando aplicou aulas de matemática.
Além de dar aulas, ao longo desse período também exerceu função administrativa como diretor do Colégio Castro Alves por cinco anos. Entre as ações realizadas visando a melhoria da instituição de ensino Nereu destaca a construção do muro que cercou as instalações. “Muitas pessoas diziam que estávamos construindo um presídio, mas o que queríamos era evitar que os alunos tivessem acesso a hábitos ruins para suas vidas, como o consumo de drogas, por exemplo”, comenta.
Antes de exercer a função de lecionar, o caminho foi longo e percorrido com persistência e perseverança. Nereu saiu da casa dos pais com apenas 9 anos de idade para estudar. Os quatro anos seguintes a esse momento foram passados no seminário, dois desses em Vila Flores e os outros dois em Veranópolis. “Com nove anos eu fui para o seminário. Fiquei quatro anos no seminário: dois anos em Vila Flores e dois anos em Veranópolis”, relata.
Depois disso retornou para Machadinho onde cursou a terceira e a quarta séries ginasiais “na Escola Castro Alves antiga”. Nesse período morava com os pais que residiam nas proximidades do perímetro urbano de Machadinho.
Na segunda vez que deixou o conforto da casa da família para correr atrás do sonho de estudar Nereu foi para o estado de São Paulo. Lá frequentou o curso de Técnico Agrícola. “Fui fazer o Técnico Agrícola em São Paulo, na cidade de Pinhal. Eu fui estudar lá em São Paulo porque tinha o meu irmão Antônio que morava lá”, declara.
Com o diploma de Técnico Agrícola nas mãos, Nereu novamente retornou para Machadinho, porém não encontrou emprego na área em que havia estudado. “Não tinha emprego aí eu me inscrevi na vigésima segunda Delegacia de Educação em Lagoa Vermelha e arrumei um contrato para trabalhar como professor de educação física”, comenta.
Mesmo tendo conseguido um emprego, o machadinhense não se satisfez com o conhecimento que havia obtido até então. “Fui fazer um vestibular e passei; fui estudar em Ijuí. Lá eu cursei a minha faculdade de ciências de curta duração. Depois fiz plena de matemática e continuando meu estudo, fiz pós-graduação em planejamento energético em Erechim”, declara. “São praticamente vinte anos em que eu estudei durante a minha vida”, destaca Nereu.
Mesmo tendo dedicado o foco de sua vida à carreira e a arte de ser professor, o machadinhense também cultivou outros gostos que a vida lhe apresentou. “Eu sempre gostei da música, aí montei um conjunto. Ocupava os finais de semana e fui investindo nessa área”, revela.
O conjunto musical Andança Serrana se manteve em atividade por aproximadamente cinco anos. Depois desse período os integrantes começaram a se dispersar em busca de novas oportunidades de trabalho, o que acabou causando o fim do conjunto. “Quando meu conjunto estava andando mais ou menos bem deu problema. Um saiu, outro saiu também. Um músico passou no concurso como fiscal do ICM, outro foi para Caxias; aí fiquei só eu e meu filho que tocava comigo”, relembra.
Seu grupo musical baseava o repertório na música tradicionalista gaúcha. De acordo com Nereu, o período em que desenvolveu essa atividade deixou lembranças muito boas no que se refere ao convívio com as pessoas. “Fizemos muitos bailes bons, muita coisa boa. A gente era muito conhecido; o convívio com as pessoas era fantástico”, relata.
Depois do fim da atividade do “Andança Serrana” uma grande quantidade de equipamentos ficou ociosa, o que gerou um questionamento em Nereu. “Quando dispersou o conjunto eu me perguntei: ‘o que vou fazer com todos esses equipamentos?’… ‘Vou montar um som mecânico.’ Era a moda da época. O nome do som era Scorpion Sonorizações de Eventos relembra Nereu. “Eu trabalhei muito tempo com o som, uns quinze anos mais ou menos”, acrescenta. Durante todos esses anos, sua companheira de matrimônio, Dona Irdete também foi parceira nos negócios. A parceria deu certo, tanto que rendeu um slogan naturalmente construído pelos eventos de sucesso sonorizados pelo Scorpion. “A frase que a gente usava era assim: ‘onde tem Scorpion Sonorizações está feita a festa”, conta Nereu.
Muito tem para ser dito sobre a trajetória profissional de Nereu e sua esposa, porém o que lhes trás mais satisfação é olhar para a família e perceber que a missão de educar os filhos foi plenamente cumprida. “Para mim o que é mais gratificante hoje é sentir que a minha família está bem. Eu trabalhei muito para isso e deu certo”, conclui Nereu.
O casal forma uma família com dois filhos, um casal. A filha Viviane reside em Passo Fundo, RS e o filho Fernando em Chapecó, SC.
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