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Valdo e Alaides Rafagnin reúnem amigos e familiares em suas Bodas de Ouro

Coroando uma história de muita luta e sacrifício, o casal Valdevino (Valdo) e Alaides Rafagnin reuniu os familiares e amigos conquistados ao longo dos anos para comemorar os cinquenta anos de matrimônio. A festa foi realizada na sede da Comunidade de Santo Antônio, onde residem.
O momento da confraternização foi um dos mais felizes do casal. Antes disso, contudo, muitas lutas foram travadas ao longo dos anos para construir sua família e manter os filhos trilhando os caminhos do bem.
Conforme Valdevino – conhecido por todos como Valdo e como o nominaremos nesta matéria – os problemas de saúde sempre preocuparam a família. “Sempre tivemos algum problema de saúde na família. Se não era eu era ela (esposa), se não era ela eram as crianças. Faz cinquenta anos que somos casados e não ficamos seis meses sem ter algum problema de saúde”, relata. A mais recente situação aconteceu com Alaídes, que foi acometida por um câncer, passou por cirurgia e recebeu alta médica, porém agora está fazendo consultas periódicas com o médico responsável para evitar que a doença reapareça.
O próprio Valdo convive diariamente com as limitações impostas pelos problemas de saúde. Há oito anos realiza tratamento com cardiologista, em decorrência de cirurgia para colocação de pontes de safena – são três no total. “O sol é um veneno para mim. Tenho que me cuidar demais. O médico tinha me dado caminhada para fazer, mas hoje não posso mais”, relata.
Uma das filhas, Eunice, também passou por maus bocados até conseguir superar as dificuldades no que se refere à saúde. “Nós quase perdemos também a nossa filha do meio. Diziam que era isso, que era aquilo, que era anemia, que era amarelão. Aí foi, foi que levamos num médico em Sananduva e ele diagnosticou que era gás que ela tinha, o que ela comia vomitava tudo”, relembra Alaídes. “Foi difícil, mas graças ao bom Deus se resolveu”, constata Valdo.
As dificuldades enfrentadas com problemas de saúde afetaram muito a vida financeira do casal. Não foi fácil construir uma estrutura devido aos gastos constantes. “O falecido pai me deu uma terra e tive que vender por motivo de doença. Eu fiquei sem nada, nada. Meu capital era a mudança de dentro de casa. Eu não tinha casa, nada, nada. Os primeiros dois anos até que foram mais ou menos, depois começou ir para trás e tive que vender o sítio que eu tinha para pagar as dívidas de doença”, relembra Valdo.
Para superar cada uma das dificuldades Deus sempre esteve ao lado da família e a fé foi constante companheira nas batalhas. O Santo Antônio também recebe papel de destaque nas histórias de superação. “Desde o tempo em que casei, sempre tive fé em Deus e em Santo também. O Santo Antônio é meu preferido. Eu sofria muito com pedra no rim, eu fiz uma promessa para Santo Antônio e até hoje nunca mais tive nada. Não precisei tirar, ela caiu por conta”, relembra.
Quem estendeu a mão no momento de grande dificuldade foi o pai de Alaídes (Severino), que adquiriu uma área de terra e cedeu ao jovem. “Meu sogro comprou esse terreno aqui, o pai dela (Alaídes). Eu entrei só com o esforço e com o serviço”, relembra, citando a força que sempre encontrou em sua companheira. “Nesses cinquenta anos ficamos lado a lado. Sempre que precisava trabalhar ninguém dizia que não”, afirma Valdo.
Os pais de dele (Luiz e Joana) também sempre foram o porto seguro nos momentos de maior dificuldade. Uma dessas situações ocorreu quando o casal não tinha mais onde acessar para arranjar dinheiro para pagar o hospital em que a filha permaneceu internada. Seu pai lhe emprestou o valor necessário e disse que poderia pagar quando e como pudesse. “Os meus pais e os pais dela nos deram muito apoio, nós devemos muito a eles. Sempre incentivavam e vinham nos ajudar quando estávamos mal”, agradece Valdo.
A jornada de trabalho no início da vida de casados era de sol a sol, inclusive os filhos eram levados junto para a lavoura. “Nós levávamos as crianças na roça. Colocava em baixo de uma ‘moita’ para não pegar o sol. Quando era onze e pouco ela vinha para casa fazer o almoço e eu ficava até meio dia. Vinha pra casa, almoçava, fazia os serviços e quando era uma e meia eu estava na roça de novo. Até que enxergava eu estava lá, na roça”, comenta. As principais atividades econômicas desenvolvidas na propriedade eram produção de cereais e suinocultura.
Uma das maiores satisfações alcançadas na vida do casal é olhar para os filhos e perceber que a criação foi a melhor possível. “Graças a Deus tudo está bem. Não tem nenhum deles (filhos) malandro. Todos eles me ajudaram, se precisava mandar fazer qualquer serviço eles faziam”, ressalta Valdo. O casal formou uma família com cinco filhos e quatro netos.
Da mesma forma que é dos filhos a maior alegria da vida, foi de uma situação passada com um deles que surgiu uma das maiores dores que a família carrega consigo. O segundo filho mais novo viveu apenas 39 dias, vindo a falecer em decorrência problemas pulmonares. “O médico falou que era para levar e de volta quando completasse quarenta dias, quando chegou nos trinta e nove ele ficou ruim, nós levamos lá e se foi”, conta Alaídes.
Sobre a parceria estabelecida com a esposa, que proporcionou um casamento batendo na marca dos 50 anos, Valdo analisa que, para alcançar tal feito é necessário manter o foco na família, superando sempre as imposições que a vida apresenta no dia a dia. “Eu digo o seguinte: que todas as pessoas sejam honestas, que procurem a família em primeiro lugar. Nunca desistir porque tem muita gente que desiste. Eu desejo isso para todos os jovens, que casem e tenham um casamento como o nosso, que dure cinquenta anos”, orienta.
A coroação desse casamento foi a festa de Bodas de Ouro, para a qual foram convidados os familiares, vizinhos e demais conhecidos. O momento foi de grande alegria, conforme relata o casal. “Para mim foi a melhor festa que tive. A minha maior alegria foi convidar os irmãos, os cunhados, os vizinhos aqui convidei todo mundo”, declara Valdo, ressaltando o valor dado às amizades que conquistou ao longo das décadas. “Amigos eu tenho bastante. Não é para me gabar, mas aonde eu for, pode ser aqui no município ou fora, em Santa Catarina, eu tenho bastante amigos”, afirma.
Alaídes conta que não queria aceitar a realização da festa, contudo, mudou de ideia para atender a vontade do marido e demais familiares. Depois de concordar com a decisão de realizar o evento, a alegria também contagiou a matriarca da família, porém um ponto deixou a desejar, já que sua mãe, Tereza não pôde estar presente. Tereza mora em São Paulo e tem 85 anos de idade.

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