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Foi preso nesta sexta-feira, no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, um dos principais alvos da Operação Criptoabate, que investiga uma organização suspeita de aplicar o chamado “golpe do abate de porcos”, que começou a ser investigada após uma idosa de Porto Alegre perder R$ 37 milhões no esquema. Ainda há sete foragidos. O nome de nenhum investigado foi divulgado pela polícia.
O homem, morador de Balneário Camboriú (SC), é dono de uma das instituições financeiras alvo da operação. Segundo o delegado Eibert Moreira, o suspeito recebeu R$ 77 milhões em sua conta pessoal, logo após o golpe sofrido pela vítima porto-alegrense, que perdeu toda a sua herança e investimentos no esquema. Além dele, a operação prendeu ontem dois operadores de criptomoedas, um deles chinês e outro de São Paulo.
O preso é um dos três proprietários de instituições financeiras que atuam na conversão de moeda fiduciária para criptoativos e são alvo da polícia. Os outros dois, um coreano e um brasileiro, ainda estão foragidos.
A gerente de um tradicional banco brasileiro, suspeita de facilitar a abertura de contas utilizadas pelo grupo, também é procurada pela polícia. De acordo com o delegado, o dinheiro obtido com o golpe contra a idosa de Porto Alegre foi pulverizado em 25 contas que pertencem à carteira dessa gerente. A reputação da instituição, que não foi identificada, onde a investigada trabalha serviria para passar credibilidade às vítimas do grupo.
O esquema é conhecido como “golpe do abate de porcos”, modalidade em que os criminosos estabelecem uma relação de confiança com a vítima antes de induzi-la a fazer aportes cada vez maiores. Segundo a Polícia Civil, os alvos eram inseridos em grupos de mensagens que simulavam comunidades de investidores, com supostos especialistas e participantes que reforçavam a aparência de legitimidade da plataforma.
Os criminosos apresentavam análises de mercado, orientações financeiras e resultados falsos, fazendo com que as vítimas acreditassem estar obtendo lucro. Quando tentavam retirar o dinheiro, porém, eram informadas de que precisavam pagar taxas, impostos ou outros valores para liberar os recursos.
A investigação aponta ainda que o grupo utilizava empresas e pessoas interpostas para movimentar os valores. A Polícia Civil identificou mais de R$ 30 bilhões em transações consideradas atípicas envolvendo pessoas físicas e jurídicas relacionadas à apuração. Em uma das estruturas, foram registrados cerca de R$ 295 milhões em movimentações em um único dia na conversão de moeda fiduciária para criptoativos.
Segundo o delegado Eibert Moreira, o esquema não tinha divulgação ampla e buscava atingir um número menor de vítimas, escolhidas de acordo com o perfil financeiro.
A investigação segue para analisar o material apreendido, identificar outros possíveis envolvidos e localizar bens e valores que possam ser recuperados.
Fonte: Correio do Povo
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